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Acne adulta pode surgir depois dos 30 e ter relação com hormônios e estresse

Espinhas, cravos e inflamações não desaparecem necessariamente com a adolescência e podem continuar ou surgir pela primeira vez na vida adulta; alterações hormonais, estresse, genética, cosméticos e até alguns medicamentos estão entre os fatores relacionados ao problema

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A acne pode continuar depois da adolescência ou surgir pela primeira vez durante a vida adulta.
A acne pode continuar depois da adolescência ou surgir pela primeira vez durante a vida adulta. • eugene barmin

Quem associa acne apenas à adolescência pode se surpreender ao perceber o aparecimento de espinhas, cravos e inflamações na pele depois dos 25, 30 ou até 40 anos. O problema, porém, não desaparece necessariamente com o fim da puberdade e também pode surgir pela primeira vez na idade adulta.

A American Academy of Dermatology, organização norte-americana que reúne dermatologistas, explica que a chamada acne adulta pode continuar por décadas ou começar somente depois da adolescência. O quadro é particularmente frequente entre mulheres, inclusive durante períodos de alterações hormonais.

Por isso, quando uma pessoa que nunca teve problemas importantes com acne começa a apresentar lesões na pele, não é necessário considerar o quadro apenas como uma consequência de alimentação ou falta de higiene. Existem diferentes fatores que podem estar envolvidos.

Por que a acne pode aparecer na vida adulta

A acne se desenvolve quando os poros ficam obstruídos, mas os motivos que favorecem esse processo podem variar de uma pessoa para outra.

Entre os fatores relacionados à acne adulta estão as oscilações hormonais. Nas mulheres, alterações podem acontecer durante o ciclo menstrual, gravidez, perimenopausa e menopausa, além de períodos de início ou interrupção do uso de anticoncepcionais. Essas mudanças podem influenciar a produção de oleosidade e favorecer o surgimento de lesões.

A genética também pode participar. Pessoas que têm parentes próximos com histórico de acne, principalmente casos mais intensos, podem apresentar maior predisposição.

O estresse é outro fator que merece atenção. Ele não é considerado a causa isolada da acne, mas pode piorar um quadro já existente. A AAD explica que o estresse pode estar relacionado a alterações hormonais capazes de estimular as glândulas sebáceas e os folículos.

Cosméticos e produtos para o cabelo também merecem atenção

Nem sempre o problema está relacionado ao tratamento facial. Produtos utilizados diariamente no rosto e no cabelo também podem contribuir para a obstrução dos poros em algumas pessoas.

Hidratantes, protetores solares, maquiagem e produtos capilares podem apresentar diferentes formulações. Para quem tem tendência à acne, a American Academy of Dermatology recomenda procurar no rótulo expressões como “não comedogênico”, “oil-free” ou “não obstrui os poros”.

Isso não significa que toda pessoa com acne precise abandonar hidratantes ou protetor solar. Pelo contrário. A questão é escolher produtos compatíveis com uma pele acneica.

Também vale observar a região próxima à linha do cabelo. Pomadas, óleos e outros produtos capilares podem entrar em contato com a pele e contribuir para o surgimento de pequenas lesões.

Acne não significa falta de higiene

Um dos erros mais comuns é acreditar que lavar o rosto várias vezes ou esfregar a pele com força fará as espinhas desaparecerem.

A estratégia pode produzir o efeito contrário. A American Academy of Dermatology recomenda uma rotina de cuidados suave, já que irritar a pele pode favorecer mais inflamação e novos episódios de acne.

Por isso, não é necessário usar buchas, esfoliantes agressivos ou produtos que provoquem ardência para tentar deixar a pele “mais limpa”.

Também é importante evitar espremer espinhas. Além de aumentar a inflamação, o hábito pode favorecer marcas e cicatrizes.

Tratamento depende do tipo de acne

Não existe um único produto capaz de tratar todos os tipos de acne. Cravos, pequenas espinhas e lesões profundas podem exigir abordagens diferentes.

Para casos leves, alguns produtos de venda livre podem conter ativos como ácido salicílico, peróxido de benzoíla, ácido azelaico ou adapaleno. A escolha depende do tipo de lesão, da sensibilidade da pele e de outras características individuais.

A AAD recomenda, para quem está tratando acne leve por conta própria, escolher um produto com um ativo adequado e utilizá-lo conforme as orientações por algumas semanas antes de avaliar o resultado. A melhora não costuma acontecer de um dia para o outro.

Isso é importante porque trocar constantemente de produto pode irritar a pele e dificultar a avaliação do que realmente está funcionando.

Quando é hora de procurar um dermatologista

Alguns casos precisam de avaliação profissional desde o início. Espinhas grandes, profundas e doloridas, lesões que deixam cicatrizes ou acne que não melhora com cuidados básicos são motivos para procurar um dermatologista. A avaliação também é importante quando o aparecimento da acne acontece de maneira repentina ou vem acompanhado de outras alterações.

Em algumas situações, a acne pode estar relacionada a uma condição médica ou ao uso de determinados medicamentos. A AAD orienta que, quando houver suspeita de que um remédio esteja provocando ou piorando o quadro, a pessoa não deve interromper o tratamento por conta própria. O ideal é conversar com o profissional responsável pela prescrição.

Mulheres que apresentam acne associada a alterações hormonais também podem precisar de uma investigação mais individualizada.

A acne pode continuar depois dos 40

A idade não determina o fim da acne. Algumas pessoas continuam apresentando lesões aos 30, 40 ou 50 anos, enquanto outras desenvolvem o problema somente na fase adulta. Segundo a American Academy of Dermatology, a acne adulta é especialmente comum entre mulheres que passam pela menopausa, período marcado por mudanças hormonais.

Isso também explica por que um tratamento que funcionava durante a adolescência pode deixar de produzir o mesmo resultado anos depois. A pele muda ao longo da vida, assim como os fatores que podem contribuir para o aparecimento das lesões.

Alimentação pode ser o único motivo

É comum encontrar na internet listas de alimentos considerados responsáveis por causar espinhas. A relação entre alimentação e acne, porém, é mais complexa do que simplesmente apontar um alimento como culpado.

A própria American Academy of Dermatology reconhece que determinados alimentos podem piorar a acne em algumas pessoas, mas outros fatores também participam do desenvolvimento do quadro.

Por isso, retirar grupos alimentares inteiros sem orientação não é uma estratégia adequada. Se houver uma suspeita de relação entre determinado alimento e o surgimento das lesões, vale conversar com profissionais de saúde antes de fazer restrições importantes na dieta.

Paciência também faz parte do tratamento

Um dos principais desafios para quem trata acne adulta é esperar resultados imediatos. Produtos eficazes precisam de tempo para produzir mudanças, e a irritação provocada pelo excesso de ativos pode piorar a aparência da pele.

A AAD destaca que tratamentos contra acne podem levar semanas para apresentar melhora significativa. Em alguns casos, o dermatologista combina mais de uma estratégia para controlar diferentes mecanismos envolvidos no problema.

Mais importante do que tentar esconder cada espinha é identificar o tipo de acne e entender o que está contribuindo para o seu aparecimento.

A acne adulta é uma condição comum e não significa que a pessoa esteja cuidando mal da pele. Com diagnóstico adequado, rotina suave e tratamento compatível com cada caso, é possível controlar as lesões e reduzir o risco de marcas e cicatrizes.

Quando as espinhas persistem, são doloridas, deixam manchas ou começam a surgir de forma inesperada, a consulta com um dermatologista é o caminho mais seguro para descobrir a causa e definir o tratamento.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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