A maturidade começa quando a velocidade deixa de impressionar
Existe um momento em que presença vale mais do que performance e silêncio vale mais do que aceleração

Vem comigo, coloca uma música leve. Você não precisa amar leitura, mas vai se enxergar nesse texto é libertador.
Existe uma armadilha silenciosa na vida adulta que quase ninguém percebe quando ainda está correndo. Ela surge disfarçada de sucesso. Agenda cheia. Reconhecimento. Metas alcançadas. Reuniões importantes. Sensação constante de produtividade. Durante muito tempo, confundimos movimento com transformação.
Só que nem toda subida representa evolução.
Há pessoas que crescem profissionalmente durante anos sem conseguir perceber o próprio esgotamento emocional acontecendo aos poucos. A carreira avança. O currículo impressiona. O telefone não para. Ainda assim, alguma coisa internamente começa a ficar distante. Como se a vida estivesse acontecendo sempre alguns metros à frente da própria presença.
Talvez maturidade tenha menos relação com conquistar espaço e mais relação com perceber se ainda existe sentido em permanecer nele.
Depois de anos vivendo dentro de rotinas aceleradas, comecei a entender uma diferença que parece simples, mas muda tudo: acumular experiências não significa necessariamente aprofundar a existência. Existe uma distância enorme entre ocupar espaços e realmente viver o que acontece dentro deles.
A pausa ensina coisas que o excesso de velocidade esconde.
Alguns dos momentos mais importantes que vivi recentemente, não existia conquista extraordinária acontecendo. Nenhum palco. Nenhuma validação externa. Nenhuma grande celebração. Apenas pequenos instantes que pareciam esquecidos dentro da vida adulta moderna.
Pedalar sem olhar o relógio e sem música. Curtir a música da fazendinha - Mundo Bita, com meu filho Raul na hora que ele acorda. Subir e descer a BR de moto só ouvindo o barulho dela. Comer sem o telefone vibrando ao lado. Um rolê de skate anônimo, sem ninguém saber, é o silêncio gente, só usando para saber o quanto é bom. Observar partes do dia, receber meus poucos amigos em casa, sem necessidade de registrar a cena para provar que ela existiu.
Curiosamente, foi justamente nesses momentos que percebi o quanto passamos anos treinados para viver sempre em direção ao próximo objetivo. O próximo contrato. O próximo cargo. O próximo resultado. Como se felicidade fosse uma estação futura e nunca um estado possível do presente.
Existe um cansaço coletivo difícil de ignorar. Ambientes corporativos ficaram mais rápidos, mais exigentes e emocionalmente mais desgastantes. Todo mundo parece permanentemente disponível. Todo mundo tentando acompanhar uma velocidade que já deixou de ser humana faz tempo, minha editora Taís Pacheco, adora minha frase que diz: "Sabe-se lá a diferença entre os olhos que não enxergam e aqueles que não querem ver".
Nesse cenário, presença virou um tipo raro de inteligência.
Lideranças emocionalmente sustentáveis criam ambientes diferentes porque conseguem oferecer algo que números não entregam sozinhos: estabilidade emocional. A forma como alguém entra em uma sala muda o clima inteiro de uma equipe. Escuta muda relações. Consistência cria confiança. Segurança emocional retém talentos de maneira muito mais profunda do que discursos motivacionais, cheios de Blá, bla, blá.
Soft skill deixou de ser detalhe decorativo no mundo profissional. Sensibilidade, escuta e equilíbrio emocional começaram a ocupar um espaço estratégico dentro das empresas e nas nossas vidas justamente porque ambientes tóxicos se tornaram insustentáveis a longo prazo eu não estou dizendo o que eu li, sobre mestrado ou doutorado, eu estou dizendo o que eu vivi e vivo.
Um livro me atravessou a garganta rasgando profundamente enquanto refletia sobre tudo isso. Em “A coragem de não agradar”, escrito por Ichiro Kishimi e Fumitake Koga, existe uma passagem poderosa sobre liberdade emocional e presença. Os autores mostram que grande parte da ansiedade contemporânea nasce quando a vida deixa de ser experiência e passa a ser aprovação constante, likes e contemplação alheia. A leitura provoca justamente porque desmonta a ideia de que felicidade depende apenas de performance ou reconhecimento externo se você esta comigo aqui leia esse livro, vai valer cada palavra.
Existe um instante raro em que a alma começa a pedir menos velocidade e mais verdade. O mundo continua correndo lá fora, os relógios seguem pressionando, as telas continuam acesas, mas alguma coisa dentro de nós já não aceita viver apenas de urgência. Amadurecer talvez seja exatamente isso: descobrir que paz não significa parar a caminhada, mas aprender a não se perder de si mesmo enquanto ela acontece.
Durante muito tempo, acreditamos que crescer era acelerar. Mais conquistas. Mais reconhecimento. Mais respostas rápidas. Só que a vida ensina devagar aquilo que a pressa nunca consegue compreender. Tudo o que permanece de verdade nasce da constância silenciosa. Relações profundas precisam de presença. Construções sólidas exigem tempo. Lideranças que transformam pessoas carregam equilíbrio até nas maiores provações.
Existe sabedoria em perceber que nem todo passo precisa ser dado imediatamente. Algumas mudanças acontecem quando diminuímos o ruído do mundo para finalmente ouvir aquilo que a alma tenta dizer há anos.
A caminhada deixa de ser apenas destino quando começamos a prestar atenção em quem estamos nos tornando no caminhar.
E talvez a pergunta mais importante da vida nunca tenha sido sobre sucesso, metas ou reconhecimento. Eu quero te dizer o seguinte: cuida da sua mente só você pode fazer isso, ou o mundo vai querer te impor que você precisa aparecer, precisa mostrar, precisa isso e aquilo. Real você precisa é cuidar do que você consome de conteúdo e quem você permite entrar na sua vida, isso sim.
Talvez a verdadeira pergunta seja outra: o que permanece dentro de nós quando toda a pressa finalmente vai embora?
Nesse momento, eu vou pegar meu Skate e sair por ai, leve e sem velocidade, dar meu rolê cigano gastando tudo que tenho, o bolso cheio de sonhos. Vai...Hasta !
Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.
