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A era da maquiagem “clean” começou a perder força

Sombras escuras, brilho intenso e olhos marcados voltaram ao centro da beleza

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Maquiagem forte é a nova tendência
quiag

O rosto “apagado” começou a cansar parte da internet

Bastou abrir o TikTok por poucos minutos para perceber a mudança. Depois de anos dominados por maquiagem leve, tons neutros e aquela aparência quase invisível que tomou conta das redes sociais, os olhos carregados começaram a voltar com força. E não foi devagar.

A era da maquiagem “clean” começou a perder força • Ia
A era da maquiagem “clean” começou a perder força • Ia

Sombras pretas, vinho, chumbo e grafite reapareceram primeiro em vídeos curtos, depois em festivais, campanhas de moda e tutoriais que passaram a circular muito além do universo da beleza. A estética “clean girl”, que durante anos funcionou quase como padrão visual obrigatório, começou a perder espaço para maquiagens mais intensas, menos perfeitas e muito mais visíveis.

O curioso é que essa mudança não nasceu exatamente das passarelas. Ela apareceu antes no cansaço coletivo.

Muita gente começou a sentir que os rostos das redes sociais estavam iguais demais. Mesma pele iluminada, mesma boca neutra, mesma maquiagem discreta e mesma aparência “natural” cuidadosamente calculada. Aos poucos, o exagero voltou a parecer interessante justamente porque o minimalismo virou regra.

Os olhos voltaram a roubar a cena

Existe uma diferença importante entre essa nova fase e a maquiagem pesada dos anos 2000. Agora, o visual parece menos preocupado em parecer perfeito. Em muitos vídeos que viralizam, a sombra aparece borrada, propositalmente irregular e até um pouco caótica.

Isso mudou completamente a temperatura estética da internet.

O olhar voltou a chamar atenção antes da pele. O brilho metálico reapareceu sem vergonha. Delineados mais escuros começaram a dividir espaço com lápis borrados e combinações que lembram referências do rock, do grunge e da estética alternativa que dominava videoclipes no começo da internet.

Ao mesmo tempo, existe uma sensação menos “tutorial” nessa nova maquiagem.

Durante anos, boa parte da indústria da beleza transformou maquiagem em técnica. Produtos, passos, regras, contorno, iluminação e acabamento impecável passaram a dominar vídeos e campanhas. Agora, o movimento parece caminhar em outra direção.

A maquiagem voltou a parecer divertida é importante sempre lembrar que uma alimentação leve é muito importante para a pele e os olhos.

A nostalgia encontrou as redes sociais no momento certo

Parte desse retorno conversa diretamente com a explosão da estética Y2K e da nostalgia dos anos 1990 e 2000. Só que não se trata de uma cópia literal daquela época. O que reaparece agora é uma releitura mais espontânea, misturada com filtros digitais, moda oversized e referências que circulam o tempo inteiro nas redes sociais.

Em festivais internacionais recentes, por exemplo, maquiagens mais dramáticas começaram a ocupar espaço novamente entre artistas, influenciadores e celebridades ligadas à música pop e alternativa. O mesmo movimento apareceu em editoriais de moda e campanhas de beleza lançadas nos últimos meses.

O mercado percebeu rápido.

Marcas internacionais voltaram a destacar paletas escuras e acabamentos metálicos que haviam perdido protagonismo nos últimos anos. Em vez de esconder a maquiagem, a nova fase parece querer evidenciar textura, contraste e presença visual.

Existe outro fator importante nisso tudo: maquiagem intensa funciona muito bem em vídeo curto.

Olhos carregados criam impacto imediato na tela do celular. Em plataformas onde poucos segundos definem se alguém continua assistindo ou não, isso virou vantagem estética enorme.

O visual “perfeito” começou a perder força

Talvez o movimento mais interessante dessa nova fase esteja justamente na quebra da aparência excessivamente controlada que dominou a internet nos últimos anos.

A maquiagem “clean” ajudou a consolidar uma estética extremamente organizada. Pele impecável, cabelo alinhado, tons suaves e aparência quase clínica passaram a dominar redes sociais, campanhas e vídeos de rotina. Só que, com o tempo, muita gente começou a enxergar tudo isso como repetitivo e até cansativo.

A volta das sombras escuras parece surgir exatamente dessa ruptura.

Em vez de rostos excessivamente polidos, o público começou a buscar maquiagem com mais personalidade. Em vez de neutralidade, contraste. Em vez de perfeição, presença.

Isso ajuda a explicar por que olhos marcados reapareceram tão rápido fora dos nichos tradicionais de beleza. A tendência já aparece em ambientes corporativos, universidades, bares, shows e principalmente em conteúdos produzidos por uma geração que cresceu dentro da estética digital e agora parece procurar algo menos previsível.

No meio dessa mudança toda, uma coisa ficou clara: a maquiagem discreta não desapareceu. Mas deixou de ser a única linguagem dominante da internet.

Por

Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.