Vizinhos do Metrô no São Gabriel relatam danos em imóveis em audiência na CMBH
Audiência Pública na Câmara Municipal ouviu moradores que relatam avarias causadas ao longo de mais de 20 anos de operação do metrô na região

Em audiência pública realizada na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) nesta terça-feira (19), moradores do entorno da linha do Metrô de Belo Horizonte entre as estações São Gabriel e 1° de Maio reivindicaram novas vistorias e reparos nas residências impactadas pelo funcionamento do transporte na região. A sessão realizada na Comissão de Direitos Humanos da Casa é mais um capítulo de uma novela que se arrasta há mais de 20 anos, desde a ampliação da linha 1 do modal no vetor Norte da capital mineira, finalizada em 2002.
A audiência aconteceu sem a participação de representantes da Metrô BH, concessionária que gere o transporte, o que motivou críticas dos moradores participantes e do vereador que pediu a abertura da sessão, Bruno Miranda (PDT).
Segundo as contas dos moradores, cerca de 100 famílias são afetadas pela operação do metrô na região. As reclamações tiveram início no fim do século passado, quando as obras de ampliação da linha 1 provocaram rachaduras e trincas na estrutura das casas. As fissuras se agravaram ao longo dos anos diante da falta de manutenção e da circulação dos trens.
“Há ali um evento extraordinário decorrente da enorme vibração em face do tráfego do metrô naquela região e isso tem comprometido a condição de habitação dos imóveis com trincas levantes de fora a fora em diversos em diversos desses imóveis e que tem submetido a riscos e riscos imensuráveis a essas famílias que estão muito assustadas. […] As fissuras, com o passar do tempo, vai causando desgastes, abalos no solo e esses abalos vêm também causando rachaduras nos imóveis”, disse à Itatiaia o advogado Leonardo Silva, representante dos moradores da região.
Ao longo das mais de duas décadas convivendo com o medo do colapso dos imóveis, moradores já solicitaram cálculos de risco junto a empresas privadas que constataram danos estruturais. É o caso da empresária Núbia Botelho, que comprou uma casa na região e foi surpreendida com as avarias posteriormente.
“Quando eu comprei, eu percebi que a casa tinha sido toda reformada, então não tinha ideia e nem dimensão do que estava acontecendo. Ao longo do tempo eu comecei a perceber que foi abrindo trincas, rachaduras e aí eu comecei a ficar preocupada com a situação, contratei uma perita particular, fiz um laudo para entender o que que estava acontecendo com a minha casa. E a gente percebe que quando o metro passa as janelas trepida, a mesa treme, minha cama dá aquela tremida, você percebe quando está deitada”, relatou.
Mesmo sem respostas da Metrô BH, o grupo de moradores espera que a audiência seja um catalisador na relação com a concessionária. Uma das providências anunciadas na reunião foi a realização de vistorias feitas pela Prefeitura de BH, conforme apresentado pelo subsecretário de Defesa Civil da capital, Elcione Menezes.
“Acho que esse laudo da prefeitura se soma ao esforço dos moradores para que a gente possa conseguir fazer uma pressão ainda maior para que a Metrô BH discuta com a comunidade”, afirmou o vereador Bruno Miranda.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
