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Veto às bets faz governo cancelar reunião com clubes

Dirigentes ameaçaram esvaziar encontro com Ministério do Esporte em reação à proibição das casas de apostas no futebol

Por, Brasília
Presidente Lula durante assinatura da Medida Provisória que proibiu as bets no Brasil.
Presidente Lula durante assinatura da Medida Provisória que proibiu as bets no Brasil. • Foto: Ricardo Stuckert.

O Ministério do Esporte cancelou a reunião que teria nesta terça-feira, em Brasília, com clubes e federações de futebol, em meio à insatisfação dos dirigentes com a medida provisória do governo Lula que proibiu a operação e a publicidade das casas de apostas esportivas, as chamadas bets, no Brasil.

O encontro havia sido convocado pelo ministro Paulo Henrique Cordeiro e teria como tema oficial o “fortalecimento dos clubes e do futebol brasileiro”. A reunião estava marcada para as três da tarde e reuniria representantes das quatro divisões do Campeonato Brasileiro e das federações estaduais.

Nos bastidores, porém, os clubes planejavam esvaziar o encontro como forma de protesto contra a decisão do governo. As federações também não demonstraram disposição para participar. 

Com isso, o Ministério do Esporte informou que o cancelamento ocorreu por “questões logísticas”, e que uma nova data ainda não foi definida.

A reação dos clubes ocorre porque as casas de apostas se tornaram uma importante fonte de receita para o futebol brasileiro. Os contratos de patrocínio das bets com clubes da ‘Série A’ somam pelo menos R$ 910 milhões somente em 2026. Outro levantamento indica que 14 dos 20 times da primeira divisão têm uma casa de apostas como patrocinadora máster.

Na segunda-feira, clubes paulistas já haviam se reunido na Federação Paulista de Futebol para discutir os efeitos da medida provisória. A ideia é manter uma atuação coordenada e avaliar alternativas para os contratos de patrocínio que podem ser afetados pela proibição.

O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, também criticou publicamente a medida e defendeu que o Congresso rejeite a MP. O dirigente afirmou que a decisão pode provocar impacto financeiro significativo nos clubes.

A medida provisória foi assinada pelo presidente Lula na última sexta-feira e passou a valer imediatamente. As casas de apostas têm até cinco de outubro para permitir o resgate voluntário dos valores pelos usuários. A partir de seis de outubro, os sites e aplicativos devem sair do ar. O texto ainda precisa ser analisado pelo Congresso Nacional para continuar em vigor.

O governo, por outro lado, discute um programa de crédito de até R$ 20 bilhões para clubes e SAFs renegociarem dívidas, com prazo de pagamento de até 20 anos. A proposta, no entanto, não substitui diretamente as receitas perdidas com os patrocínios das bets.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

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