Veto às bets faz governo cancelar reunião com clubes
Dirigentes ameaçaram esvaziar encontro com Ministério do Esporte em reação à proibição das casas de apostas no futebol

O Ministério do Esporte cancelou a reunião que teria nesta terça-feira, em Brasília, com clubes e federações de futebol, em meio à insatisfação dos dirigentes com a medida provisória do governo Lula que proibiu a operação e a publicidade das casas de apostas esportivas, as chamadas bets, no Brasil.
O encontro havia sido convocado pelo ministro Paulo Henrique Cordeiro e teria como tema oficial o “fortalecimento dos clubes e do futebol brasileiro”. A reunião estava marcada para as três da tarde e reuniria representantes das quatro divisões do Campeonato Brasileiro e das federações estaduais.
Nos bastidores, porém, os clubes planejavam esvaziar o encontro como forma de protesto contra a decisão do governo. As federações também não demonstraram disposição para participar.
Com isso, o Ministério do Esporte informou que o cancelamento ocorreu por “questões logísticas”, e que uma nova data ainda não foi definida.
A reação dos clubes ocorre porque as casas de apostas se tornaram uma importante fonte de receita para o futebol brasileiro. Os contratos de patrocínio das bets com clubes da ‘Série A’ somam pelo menos R$ 910 milhões somente em 2026. Outro levantamento indica que 14 dos 20 times da primeira divisão têm uma casa de apostas como patrocinadora máster.
Na segunda-feira, clubes paulistas já haviam se reunido na Federação Paulista de Futebol para discutir os efeitos da medida provisória. A ideia é manter uma atuação coordenada e avaliar alternativas para os contratos de patrocínio que podem ser afetados pela proibição.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, também criticou publicamente a medida e defendeu que o Congresso rejeite a MP. O dirigente afirmou que a decisão pode provocar impacto financeiro significativo nos clubes.
A medida provisória foi assinada pelo presidente Lula na última sexta-feira e passou a valer imediatamente. As casas de apostas têm até cinco de outubro para permitir o resgate voluntário dos valores pelos usuários. A partir de seis de outubro, os sites e aplicativos devem sair do ar. O texto ainda precisa ser analisado pelo Congresso Nacional para continuar em vigor.
O governo, por outro lado, discute um programa de crédito de até R$ 20 bilhões para clubes e SAFs renegociarem dívidas, com prazo de pagamento de até 20 anos. A proposta, no entanto, não substitui diretamente as receitas perdidas com os patrocínios das bets.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



