Reforma Tributária pode deixar o pão de queijo mais caro ou mais barato? Entenda
Após a tramitação no Congresso, texto que estabelece diferentes alíquotas para alimentos segue para a sanção do presidente Lula

Um dos pontos mais polêmicos ao longo da tramitação da Reforma Tributária no Congresso Nacional foi a cesta básica de alimentos e a inclusão, ou não, de produtos que seriam taxados ou isentos de impostos ao longo dos próximos anos. A mudança, que entra em vigor efetivamente a partir de 2033, afeta os preços de produtos que vão desde a água mineral até o pão de queijo - iguaria tipicamente mineira.
No caso do quitute que simboliza a gastronomia de Minas Gerais, o texto aprovado prevê impostos mais baixos para os produtos que compõem a tradicional receita, incluindo polvilho, ovos e queijo. Ou seja, o pão de queijo pode ficar mais barato, levando em conta a incidência de impostos sobre os ingredientes.
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A principal mudança foi em relação aos queijos utilizados na produção, como mussarela, queijo minas e parmesão, que foram mantidos na lista de produtos da cesta básica com alíquota zero para os novos impostos sobre consumo, o IBS e a CBS.
Segundo o relator da Reforma Tributária na Câmara, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), outros produtos também ficarão mais baratos, facilitando a vida de quem gosta de fazer o próprio pão de queijo.
Saldo é positivo
A Reforma Tributária, aprovada na última terça-feira (17) pela Câmara dos Deputados, trouxe avanços para a promoção da saúde no Brasil, de acordo com Paula Johns, diretora-executiva da ACT Promoção da Saúde - organização não governamental que atua na promoção e defesa de políticas públicas de saúde.
Para ela, a decisão de incluir as bebidas açucaradas no imposto seletivo é um marco importante na regulação de produtos que impactam negativamente a saúde da população. “Embora apenas as bebidas tenham sido incluídas, é um primeiro passo superimportante para ampliar o debate sobre a tributação de outros ultraprocessados supérfluos e desnecessários”, afirmou.
A diretora também destacou como positivo o fato de a cesta básica ter sido reformulada com base no Guia Alimentar para a População Brasileira. Esse enfoque permitiu a desoneração de itens essenciais para a alimentação saudável, como frutas, legumes, farinhas e óleos. Paula explica que, com a medida, ingredientes culinários tradicionais, como os usados na produção do pão de queijo caseiro, tendem a ficar mais baratos. “Farinha, óleo e queijos estão na lista de itens desonerados, o que beneficia diretamente quem prepara alimentos em casa”, ressaltou.
Por outro lado, produtos industrializados devem enfrentar tributação mais alta, especialmente os ultraprocessados. Paula enfatizou que o pão de queijo industrializado, produzido em grande escala, pode estar sujeito a alíquotas maiores.
Apesar das limitações, como a não inclusão de outros ultraprocessados no imposto seletivo, Paula considera o saldo da reforma positivo. “Estamos acompanhando uma tendência global. A inclusão de bebidas ultraprocessadas na tributação é um início importante, e o debate pode ser retomado para ampliar essas medidas”, concluiu. Ela reforçou que a tributação pode ajudar a reequilibrar os custos entre alimentos saudáveis e produtos prejudiciais, incentivando escolhas mais conscientes pela população.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



