Irmão de Cleitinho diz que família foi pega 'de surpresa' por recado do Republicanos
Legenda publicou um comunicado oficial que sugeria que o parlamentar não iria disputar as eleições deste ano

O deputado estadual Eduardo Azevedo (PL-MG) afirmou que a família foi pega "de surpresa" pelo recado do partido Republicanos sobre a candidatura do irmão, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) ao governo de Minas Gerais. Na manhã desta quarta-feira (29), a legenda publicou um comunicado oficial que sugeria que o parlamentar não iria disputar as eleições deste ano.
Cleitinho, no entanto, dobrou a aposta. No início da noite, o senador convidou jornalistas para um pronunciamento em Divinópolis, sua cidade natal. Para a imprensa, ele afirmou que será sim candidato, contrariando as afirmações da Executiva Nacional do Republicanos.
Para a Itatiaia, o deputado, irmão de Cleitinho, afirmou que "não entendeu" o que levou a sigla a publicar o comunicado. "A gente entende que articulações precisam ser feitas, existe um tempo para que isso aconteça, mas o Cleitinho deixou bem avisado que ele se manifestaria dentro do prazo, que seria até o dia 5 de agosto, ele enviou essa mensagem ao presidente", afirmou.
Além da própria candidatura, Cleitinho também anunciou a escolha de Luís Eduardo Falcão (Republicanos), ex-prefeito de Patos de Minas, como vice-governador em uma chapa "puro sangue" — quando os dois nomes são do mesmo partido.
Para disputar o Palácio Tiradentes, no entanto, o senador e o ex-prefeito irão precisar do aval do partido. Segundo o advogado Paulo Henrique Studart, especialista em direito eleitoral, a prerrogativa de disputar uma eleição "não é do político isoladamente".
Em conversa com a Itatiaia, ele afirma que a candidatura também depende das vontades partidárias, definidas através de votações internas, quem serão os representantes da legenda na eleição. "É a convenção que escolhe e homologa os candidatos que vão utilizar os recursos e concorrer pela legenda. Por essa razão, um senador, por mais popular ou bem posicionado que esteja nas pesquisas, não tem direito garantido a uma vaga para concorrer por aquele partido", explicou.
No caso específico de Cleitinho, o advogado afirma que o bom desempenho do parlamentar nas principais pesquisas eleitorais não obriga o Republicanos "a lançá-lo" como candidato. "A opção que resta, então, é, evidentemente, Cleitinho tentar convencer o partido a mudar de ideia, o que parece não ser mais o caminho, já que o Republicanos divulgou uma nota formalizando, aparentemente, a decisão de não lançá-lo como candidato. Também não cabe mais a migração para outro partido", disse.
Como a Justiça Eleitoral exige que os candidatos estejam filiados a um partido político, o senador também não poderia disputar a eleição de forma independente. "Sem o aval do Republicanos e sem uma filiação prévia a outra legenda, a via mais realista, de acordo com as informações disponíveis até o momento, é que ele não poderá concorrer neste ciclo eleitoral. Trata-se de uma decisão final da convenção partidária, no caso, do Republicanos", esclareceu.
Na coletiva de imprensa em Divinópolis nesta quarta-feira, o senador afirmou que avisou ao partido que não iria participar da convenção estadual por motivos pessoais. No último dia 18 de julho, o irmão mais novo de Cleitinho, Matheus Augusto Azevedo, morreu após um longo tratamento contra a leucemia.
Para os jornalistas, Cleitinho se desculpou diretamente com o deputado federal Marcos Pereira (SP), presidente nacional do Republicanos, pela demora em anunciar que seria candidato ao Executivo mineiro. Ele afirmou que pretende se encontrar com lideranças nacionais nos próximos dias para discutir e articular o lançamento da candidatura.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.



