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'Que Lula reconsidere as saidinhas', diz vice-governador de MG após ataque a policial

Assim como o governador Romeu Zema, Mateus Simões defendeu mudanças na regulamentação de benefício concedido a presos

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O vice-governador Mateus Simões
Simões citou Lula em pedido por mudanças em dispositivo sobre 'saidinhas' temporárias • Luiz Santana/ALMG

O vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que reconsidere a extensão das “saidinhas” de fim de ano, benefício concedido às vésperas do Natal e do Ano Novo a presos com bom comportamento.

A reivindicação, feita no fim da noite desse sábado (6), está relacionada aos ferimentos de Roger Dias da Cunha, sargento da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), na noite de sexta-feira (5). O suspeito de balear o oficial foi beneficiado pela saída temporária e deveria ter retornado ao sistema prisional no último dia 4 — o que não aconteceu.

“Que o presidente Lula reconsidere a extensão das ‘saidinhas’ que tão festivamente foram anunciadas no fim de ano e que tanto mal fizeram, como fazem a cada ano. Prisão se cumpre na cadeia. O partido Novo continuará apoiando a extinção desse absurdo (PL2253/22, que está parado no Senado). Meu pedido pessoal ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para que coloque o projeto em tramitação e nos ajude a evitar que mais vidas inocentes continuem sendo sacrificadas”, disse Simões, na rede social “X”.

MP contestou saída temporária

Como já mostrou a Itatiaia, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contestou a saída temporária concedida a Welbert de Souza Fagundes, de 26 anos, suspeito de balear o militar.

“Saídas temporárias de presos são um absurdo. Lugar de preso condenado é na cadeia. Não irão me convencer com argumentos românticos sobre ressocialização de ‘vítimas da sociedade’. O erro está mais uma vez evidente e o preço sendo pago por um Sargento da nossa PMMG. Nossos policiais são motivo de orgulho para mim. Heróis que colocam sua vida em risco diariamente para garantir a segurança dos mineiros”, afirmou o vice-governador.

Antes das críticas de Simões, o governador Romeu Zema (Novo) também defendeu mudanças na regulamentação das saídas temporárias.

“Leis ultrapassadas podem tirar a vida de mais um policial em Minas. Bandidos com histórico de violência são autorizados para ‘saidinha’, que resulta em insegurança para todos brasileiros. Passou da hora disso acabar. A mudança está parada no Congresso. Até quando?”, questionou.

Entenda o caso

Na noite da última sexta-feira, equipes do 13º Batalhão estavam em perseguição a um veículo com dois indivíduos armados pela Avenida Risoleta Neves, na capital mineira, quando o carro atropelou um motociclista. Após o acidente, os suspeitos saíram do veículo e fugiram.

O sargento Dias conseguiu capturar um dos criminosos. Mesmo após dar várias ordens de parada, o suspeito o surpreendeu, sacando uma arma e disparou várias vezes em direção à cabeça do policial, que foi encaminhado ao Hospital João XXIII, na Região Hospitalar de BH, em estado gravíssimo. A vítima tem uma filha recém-nascida

Ao contestar a concessão da saída temporária a Welbert, o MPMG citou histórico de indisciplina por parte do homem e apontou envolvimento dele no furto de um veículo em julho do ano passado, quando cumpria pena em regime semiaberto. Para o MP, ele não demonstrava autodisciplina nem senso de responsabilidade. Apesar disso, a juíza da Vara de Execuções Penais de Ribeirão das Neves, Bárbara Isadora Santos Sebe Nardy, concedeu-lhe o direito ao trabalho externo e 35 dias de saídas temporárias, em períodos de até sete dias cada.

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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.