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Pressão sobre conduta de magistrados esvaziou “Gilmarpalooza”, avaliam especialistas

Para juristas, aumento da cobrança pública por transparência e debates internos no STF sobre regras de conduta tornaram mais sensível a participação de ministros

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O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal • Luiz Silveira/STF

O esvaziamento do tradicional Fórum Jurídico de Lisboa, conhecido nos bastidores políticos e jurídicos como “Gilmarpalooza”, pode ser explicado por uma combinação de fatores, entre eles o aumento da pressão sobre a conduta de magistrados e a repercussão das investigações relacionadas ao Banco Master.

Realizado entre os dias 1º e 3 de junho, em Lisboa, o evento contou neste ano com a participação de apenas dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): o decano Gilmar Mendes, organizador do fórum, e Alexandre de Moraes. O ministro Flávio Dino chegou a confirmar presença, mas cancelou a viagem após sofrer um acidente doméstico.

Nos bastidores, a avaliação é de que a edição de 2026 registrou menor adesão de autoridades em comparação com anos anteriores.

De acordo com especialistas, as explicações para a baixa adesão vão desde a maior cobrança da sociedade sobre a atuação de magistrados até episódios recentes envolvendo o caso Banco Master.

Para o advogado e pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), Bruno Henrique de Moura, a menor presença de autoridades no evento reflete um ambiente de maior escrutínio sobre a relação entre magistrados, agentes políticos e o setor privado.

“Eu acredito que houve uma conjugação de fatores. O caso do Banco Master é um elemento relevante, mas também há discussões públicas, não apenas dentro do Supremo ou na imprensa, mas na própria sociedade, sobre como o comportamento dos juízes se relaciona com a percepção de independência e imparcialidade”, afirmou.

Segundo Moura, esse contexto tende a afastar figuras que buscam preservar uma imagem de maior neutralidade institucional.

“Afugenta alguns personagens mais neutros de comparecerem a um evento que, com um apelido como ‘Gilmarpalooza’, já demonstra não ser dos mais agradáveis para uma imagem de quem tem que se demostrar probo”, completou.

Na mesma linha, o advogado criminalista Ivan Jezler avalia que o aumento da pressão pública sobre a participação de magistrados em eventos financiados por entidades privadas tem levado ministros a adotarem uma postura mais cautelosa.

“Outro ponto é que o STF atravessa um período de intensa exposição institucional e política, o que leva muitos ministros a adotarem uma postura mais cuidadosa em relação a eventos que possam gerar questionamentos. Isso ocorre mesmo em relação a um encontro já consolidado e que conta com diversas edições realizadas”, afirmou.

Pressão interna no STF

Paralelamente às cobranças externas, cresce dentro do próprio Supremo o debate sobre a necessidade de estabelecer regras mais claras para a atuação de magistrados fora dos tribunais.

O movimento ganhou força após o presidente do STF, ministro Edson Fachin, iniciar discussões para a criação de um código de conduta voltado a ministros dos tribunais superiores.

Entre os temas em análise estão a participação de magistrados em eventos e palestras, especialmente aqueles promovidos por entidades privadas.

Fachin tem defendido que, embora seja legítima a decisão individual de cobrar ou não por essas atividades, é necessário ampliar a transparência sobre eventuais remunerações recebidas.

A proposta em elaboração também deve abordar temas sensíveis, como a participação de ministros em eventos patrocinados por empresas com processos em tramitação no STF e a atuação de parentes de magistrados em escritórios de advocacia que litigam na Corte.

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Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.