Belo Horizonte
Itatiaia

Presidente da Fiemg pede apoio a Lula contra dumping de empresas estrangeiras

Flávio Roscoe pediu ajuda para combater manobra de empresas estrangeiras; em entrevista exclusiva à Itatiaia, presidente da Fiemg detalhou reunião a portas fechadas com presidente

Por
Flávio Roscoe é presidente do Sistema Fiemg • Bárbara Dutra

O presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, se reuniu a portas fechadas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), para pedir medidas mais duras contra práticas desleais de comércio internacional que, segundo ele, têm prejudicado a indústria nacional.

“A própria prefeita está muito preocupada em função das indústrias, lá em Contagem mesmo, que estão sofrendo com a invasão dos produtos importados, que é uma derivada da guerra tarifária”, disse Roscoe em entrevista exclusiva à Itatiaia.

Atualmente, segundo Roscoe, há 72 processos antidumping em andamento no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mas apenas um teve decisão provisória neste ano. “O que a gente está pedindo é que o governo federal seja mais célere na análise. O MDIC já contratou 13 profissionais para reforçar, mas ainda é necessário que haja uma ênfase do governo em publicar essas medidas”, afirmou.

Prática adotada na China

O setor mais atingido, conforme o dirigente, é o de siderurgia, mas não apenas. “A China é o país que mais pratica isso no mundo. Aço, têxteis, até mesmo refratários, como a magnesita localizada em Contagem, têm sofrido com essa concorrência desleal”, destacou.

Apesar de não ter estabelecido prazos, Lula, segundo Roscoe, demonstrou que dará atenção ao tema. “O presidente foi muito receptivo, entendeu claramente do que se trata e falou que ia fazer uma recomendação ao presidente Alckmin”, contou.

O presidente da Fiemg alertou ainda para os riscos dessa prática para o consumidor brasileiro. “No primeiro momento, o produto chega mais barato, mas depois, quando aniquilou a produção local, além de perder empregos e renda, você vai pagar mais caro. Porque, quando não há mais concorrência, o preço sobe, e quem paga é a sociedade”, concluiu.

Por

Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.