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Pré-campanha de Zema vê como acertada crítica a Flávio e cisão com o PL

Há uma percepção na pré-campanha de Zema de que “não se conquista” o voto bolsonarista, mesmo com presença forte de pautas à direita e conservadoras

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Ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo)
Ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) • Divulgação

A pré-campanha de Romeu Zema (Novo) à Presidência da República viu como acertada a decisão do ex-governador de Minas Gerais de criticar abertamente o senador Flávio Bolsonaro (PL), aquém da repercussão deletéria entre os bolsonaristas, que colocaram o antigo gestor do Palácio Tiradentes como um “traidor” após a repercussão de suas falas.

“Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando o dinheiro do Vorcaro é imperdoável, é um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. É preciso ter credibilidade para mudar o Brasil”, disparou Zema nas redes sociais na quarta-feira (13), pouco depois de um áudio de Flávio direcionado a Vorcaro ter sido divulgado pelo The Intercept Brasil.

Na conversa com o banqueiro, o filho do ex-presidente negociava R$ 134 milhões para o filme “Dark Horse”, que é uma cinebiografia de Jair Bolsonaro com produção internacional. Com a posição de Zema, diversos bolsonaristas – de Eduardo Bolsonaro a Bruno Engler – teceram críticas ao ex-governador mineiro.

Há uma percepção na pré-campanha de Zema de que “não se conquista” o voto bolsonarista, mesmo com presença forte de pautas à direita e conservadoras. Com isso, o movimento do pré-candidato é visto como um diferenciador entre os projetos defendidos por ele e por Flávio.

“Movimento coerente de quem pediu impeachment de Ministros do supremos por comportamento imoral. De quem criticou fortemente o Ciro pela mesada do Vorcaro. Aí, quando é o Flávio Bolsonaro, passa pano? Claro que não”, afirmou à coluna Poder em Minas um interlocutor ligado a Zema. “Zema nunca quis conquistar o eleitorado bolsonarista numa eleição em que concorre contra um…. Bolsonaro”, acrescentou.

A pré-campanha também não está preocupada com as consequências que a declaração de Zema no palanque mineiro. O entendimento é de que o PL, no estado, já teria se decidido por não comportar a pré-campanha à reeleição do afilhado político de Zema, Mateus Simões (PSD).

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Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.