Belo Horizonte
Itatiaia

Na UEMG em Frutal, Simões define condição para escolha de novo reitor

Governador disse que não nomeará candidato a reitor que não assumir compromisso de destinação de prédios abandonados; apesar da condição, Simões diz que não vai interferir na autonomia da universidade

Por
Simões em vídeo gravado dentro de prédio sem uso na UEMG
Simões em vídeo gravado dentro de prédio sem uso na UEMG • Reprodução/Instagram

Em passagem por Frutal, no Triângulo Mineiro, o governador Mateus Simões (Novo) disse que a escolha do próximo reitor da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) está condicionada ao uso de um prédio abandonado na estrutura universitária. Em vídeo publicado nesta terça-feira (28) em seu perfil no Instagram, ele disse que quem não assumir o compromisso de dar destino útil à construção não será nomeado pelo Executivo para o comando universitário.

 

No vídeo, Simões caminha pelo prédio abandonado no campus de Frutal da UEMG. Ele afirma que, diante da iminente eleição para a reitoria, marcada para maio, só será nomeado quem assumir o compromisso de ‘não atrapalhar a destinação do imóvel’. A comunidade acadêmica vota para escolher uma lista tríplice, a partir da qual o governador define quem será o reitor por um mandato de quatro anos.

 

“Como nós estamos prestes a um novo processo de escolha de reitor e como a escolha do reitor é minha, do governador do estado, eu estou aqui querendo um compromisso público dos candidatos. Só tem chance de ser nomeado por mim o candidato que assumiu o compromisso que não vai atrapalhar a destinação desse imóvel. Aquilo que o governo do estado e o Ministério Público resolverem que é melhor para a população e para a UEMG, vai ter colaboração do reitor novo. Se esse compromisso for aceito, a pessoa tem condição de assumir a reitoria da UEMG. Se esse compromisso não for aceito, o professor não tem condição de assumir a administração da UEMG”, anunciou Simões.

 

Apesar da condição anunciada, Simões disse que não tem pretensão de se envolver na autonomia da UEMG. “A universidade vai ser administrada da forma como ela pretende, mas eu não admito mais que esse tipo de coisa, uma árvore dentro de um imóvel de R$ 200 milhões dos próprios cofres públicos, ser tratada como de interesse social. Qual é o interesse de alguém manter uma estrutura decadente como essa enquanto a gente precisava de investimento para educação?”.

 

 

Os prédios não utilizados do campus de Frutal são tema de uma celeuma entre o governo do estado e a comunidade acadêmica. Em 2024, o então governador Romeu Zema (Novo) — de quem Simões era vice — publicou um edital para que entidades públicas ou privadas assumissem os imóveis. Membros da universidade pleiteiam a doação das estruturas para a UEMG por meio de projetos de lei apresentados na Assembleia Legislativa (ALMG). 

 

A administração da UEMG também esteve em rota de colisão com o Governo de Minas devido à empreitada do Executivo pela tentativa de venda de imóveis da universidade e a federalização da instituição no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) na Assembleia no segundo semestre do ano passado. Os textos não foram aprovados após meses de protestos da comunidade acadêmica.

A atual reitora da UEMG é Lavínia Rosa Rodrigues, professora da Faculdade de Educação (FaE). 

 

Por

Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.