PF mira Thiago Miranda em 10ª fase da Operação Compliance Zero
Ele é suspeito de coordenar ataques online contra o Banco Central e tentar cooptar jornalistas, defendendo interesses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e seu Banco Master.

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (9) a 10ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga indícios de "atuação coordenada em redes sociais" para comprometer a credibilidade do Banco Central (BC) no Brasil. Um dos alvos da ação é Thiago Miranda, proprietário da Miranda Comunicação, também conhecida como Agência MiThi, e sócio do Portal LeoDias, focado em notícias de famosos e entretenimento.
Miranda é nome recorrente nas conversas obtidas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Além de seu papel publicitário, ele também era um dos responsáveis pela seleção de influenciadores contratados para atacar o Banco Central e jornalistas.
Conhecida por trabalhar com o público chamado de "triple A" (consumidores de altíssima renda), a empresa de Miranda atendeu mais de 200 empresas como Gucci, Balenciaga, Prada e XP Investimentos, entre outras. No site da agência, o cartão de visita anuncia aos clientes especialização em "construção de reputação" e "gerenciamento de crise".
Sob o princípio de "discrição absoluta", Thiago Miranda, segundo a PF, se tornou um dos intermediadores entre o ex-dono do Banco Master e a ação dos influenciadores, após a liquidação de seu banco.
Além disso, como revelado nas conversas obtidas pela corporação, Miranda foi responsável por tentar cooptar jornalistas que Vorcaro acusava de prejudicar sua imagem.
Ainda na última semana, a PF encontrou mensagens em que o ex-banqueiro solicitava ao publicitário que buscasse informações sobre a jornalista Malu Gaspar, colunista d'O Globo, na tentativa de impedir que ela produzisse reportagens sobre o Banco Master.
No diálogo, Vorcaro afirma que eles precisavam "encontrar algo dessa mulher no pessoal" e, depois, Miranda informa que não encontrou nada, "nem multa na CNH" que servisse para extorqui-la. As mensagens – registradas entre março e abril de 2025 – foram reveladas pelo site Fatos Online e confirmadas pela CNN Brasil.
Além disso, Thiago Miranda foi quem intermediou as conversas entre o pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro. Segundo o senador, o relacionamento era estritamente profissional e suas mensagens com o ex-banqueiro eram para cobrar R$ 62 milhões de investimentos no filme sobre Jair Bolsonaro, "Dark Horse".
Segundo a investigação da PF, Thiago Miranda é um dos principais envolvidos no chamado "Projeto DV", em referência às iniciais de Daniel Vorcaro, para defender seu banco, o Master.
Através de sua empresa, Miranda era um dos responsáveis por procurar os possíveis influenciadores e atuava junto de André Salvador, da empresa UNLTD, para coordenar os ataques online contra o BC através de perfis com muitos seguidores.
Em depoimento à Polícia Federal, Miranda admitiu ser o responsável pela contratação dos influenciadores e de ter apresentado o plano a Vorcaro no fim do ano passado. Ele afirmou que o serviço se tratava de uma "gestão de crise", com contratos que chegavam aos R$ 8 milhões.
Em uma linha do tempo montada pela corporação, foram identificados pelo menos 40 perfis que podem ter sido contratados no "Projeto DV" entre 9 de dezembro do ano passado e 6 de janeiro deste ano. Os conteúdos, quase todos com o mesmo tom e formato, tinham os discursos de que "pessoas comuns serão prejudicadas com o 'desmoronamento' do Master", que havia "indícios de precipitação na liquidação do Master" [pelo Banco Central] e que "o banco foi liquidado em tempo considerado incomum". Além da instituição, o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução da autarquia, Renato Gomer, era um dos alvos de ataque.
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