Itatiaia

'Dark Horse': perícia aponta 72% dos recursos foram gastos nos Estados Unidos

Perícia contratada pela produtora Go Up Entertainment detalha gastos do filme e aponta que a maior parte dos recursos foi utilizada nos EUA, inquérito investiga o financiamento e possíveis irregularidades

Por
Jim Caviezel no pôster de 'Dark Horse', filme sobre Jair Bolsonaro • Reprodução/Instagram/therealjimcaviezel

Uma perícia contratada pela produtora Go Up Entertainment apontou que a maior parte dos R$ 75 milhões gastos na produção do filme "Dark Horse" foi utilizada nos Estados Unidos. Mais de R$ 54 milhões, o que representa 72% do custo total, foram aplicados em solo americano, enquanto no Brasil os gastos somaram R$ 20,92 milhões.

O relatório, entregue em junho à Polícia Civil de São Paulo, no estado de São Paulo, faz parte de um inquérito que apura o financiamento do longa e possíveis ligações com irregularidades e com o pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O documento indica que 100% do aporte para a realização da obra veio da Havengate Development Fund LP, mas não especifica os investidores. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo e confirmadas pela CNN Brasil.

Segundo o laudo, os gastos nos Estados Unidos incluem US$ 383,1 mil em desenvolvimento do projeto, US$ 2,66 milhões em pré-produção, US$ 1,97 milhão em filmagens e US$ 1,95 milhão em pós-produção, entre outras despesas.

A Polícia Civil também analisou uma possível conexão entre os recursos do filme e projetos do Instituto Conhecer Brasil. A ONG, que é vinculada a Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment, firmou contrato com a Prefeitura de São Paulo, no estado de São Paulo, para instalar pontos de Wi-Fi em comunidades da capital paulista.

Entretanto, o perito contratado pela produtora, Anisio Castelo Branco, afirmou à CNN que não identificou transferências entre os recursos destinados à produção e projetos públicos do Instituto.

“Não, a movimentação do filme acontece em conta exclusiva para a finalidade da obra. Não existe nenhum pagamento relacionado a projetos públicos na empresa ou em suas contas bancárias”, disse Castelo Branco. Ele acrescentou que, apesar de as duas entidades pertencerem a Karina, não houve transferências de recursos do Instituto Conhecer Brasil para o filme.

No início de junho, a Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação contra o Instituto Conhecer Brasil para verificar o cumprimento do contrato com a prefeitura, a existência de licitação e se os recursos foram repassados a outras entidades ligadas a Karina.

No âmbito da investigação da Polícia Civil de São Paulo, no estado de São Paulo, a empresária teve de apresentar relatórios financeiros detalhando receitas e despesas das entidades sob sua responsabilidade.

O inquérito também busca rastrear cerca de R$ 61 milhões que teriam sido repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa. O objetivo é apurar se houve irregularidade nos pagamentos ou eventual contrapartida relacionada ao pré-candidato ao Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O inquérito tramita sob sigilo.

Nesta segunda-feira (24), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu ao pedido da PF e autorizou que a corporação federal tenha acesso aos dados da operação contra a produtora. A Polícia Federal (PF) recebeu as informações da Polícia Civil de São Paulo, no estado de São Paulo, na noite desta quarta-feira (26).

Segundo os dados analisados pela perícia, dos R$ 20,92 milhões movimentados no Brasil, R$ 18,47 milhões (88,29%) foram feitos via Pix, enquanto R$ 2,34 milhões (11,18%) foram pagos por boleto.

A perícia afirma que examinou os extratos bancários e os documentos financeiros disponibilizados pela produtora. O trabalho, contudo, não traz no laudo a identificação nominal de todos os recebedores finais, segundo a justificativa apresentada pelo responsável pelo documento, em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Segundo o laudo, os gastos no Brasil envolveram uma equipe binacional com onze atores americanos, mais de 800 figurantes e cerca de 350 profissionais ao longo de dois meses de filmagens.

As despesas incluem contratação de elenco e figurantes, equipe técnica e direção, locação de câmeras e equipamentos de filmagem, cenografia, figurino e efeitos especiais, passagens aéreas e transporte, hospedagem, catering/alimentação, infraestrutura de bases técnicas e geradores, segurança privada e escoltas, suporte administrativo/jurídico e contratação de fornecedores locais.

Por

Acompanhe as últimas notícias produzidas pela CNN Brasil, publicadas na Itatiaia.

 

 

Belo Horizonte