PF pede que produtora de ‘Dark Horse’ abra contas da produção do filme sobre Bolsonaro
Produtora, no entanto, alega já ter enviado a documentação e critica a 'fishing expedition'

A Polícia Federal (PF) pediu à empresária Karina Ferreira da Gama, dona da produtora Go Up Entertainment, que voluntariamente colabore com as investigações e abra as contas do filme "Dark Horse", que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O pedido foi feito por e-mail no dia 18 de agosto por um delegado da PF lotado em Brasília, mas a empresária não atendeu à solicitação. O advogado de Karina, Ricardo Sayeg, classificou a ação como "fishing expedition".
No e-mail, foi anexado um ofício detalhando o pedido, que solicita “a apresentação voluntária da documentação comprobatória da produção cinematográfica”, como faturas pagas, invoices realizados dentro e fora do país, contratos, aditivos, demonstração de despesas, comprovantes das origens dos recursos empregados e dos financiamentos. A previsão de lucro para o filme foi tema de reportagens anteriores.
Karina não encaminhou o que foi pedido. Seu advogado, Ricardo Sayeg, solicitou à PF mais detalhes sobre o processo, como a portaria de instauração do inquérito policial, para que possa entender o que está sendo apurado contra ela. Ele também respondeu ao delegado, explicando entender que o que está em curso é uma “fishing expedition”, ou “pesca predatória”, termo utilizado no direito para classificar uma devassa em uma pessoa ou empresa em busca de um crime.
Nesta terça-feira (25), Karina e a produtora Go Up divulgaram uma nota reafirmando a regularidade na execução do filme, que conta a história de Jair Bolsonaro.
“Diante de questionamentos levantados nos últimos dias, a Go Up Entertainment Ltda. vem a público esclarecer que o laudo de transparência das contas sobre o filme The Dark Horse já foi feito e entregue às autoridades competentes no dia 10 de junho de 2026, ou seja, há dois meses e meio”, diz a nota, assinada pelo advogado Ricardo Sayeg.
De acordo com o advogado, “a apresentação completa foi entregue em tempo hábil, cumprindo as obrigações legais relacionadas à produção e aos recursos envolvidos no projeto, e esclarecendo a total regularidade no recebimento e destinação de recursos relativos à produção de origem integralmente privada”.
Ele diz ainda que “na oportunidade foi apresentado laudo de perícia técnica, elaborado por profissional independente, que analisou toda a documentação financeira e contábil relacionada ao filme”.
Afirma também que “o documento emitido pelo Instituto de Perícia Investigativa (IPI) atesta que 100% dos valores recebidos foram utilizados em despesas diretas e indiretas da produção do filme, sem qualquer irregularidade na aplicação dos recursos captados”.
Por fim, declarou que “a Go Up Entertainment Ltda. reafirma seu compromisso com a transparência e o cumprimento de todas as obrigações legais”.
O caso voltou ao centro das atenções nesta semana após o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino autorizar o compartilhamento de informações da investigação da Polícia Civil de São Paulo, que envolve a produtora, com a Polícia Federal.
A CNN mostrou na segunda-feira (24) que o candidato a presidente Flávio Bolsonaro desistiu de apresentar uma prestação de contas do filme e deixou a tarefa para a produtora. Ele havia anunciado a prestação de contas após um áudio em que pede recursos para o filme a Daniel Vorcaro vazar, no dia 13 de maio.
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