PBH quer finalizar estudos sobre motofaixas até julho; largura das vias é o principal entrave
Audiência pública na Câmara discutiu a possibilidade de instalação de faixas exclusivas para motocicletas nas principais vias da capital

A Prefeitura de Belo Horizonte prevê encerrar, no início do próximo semestre, os estudos para avaliar se é possível instalar faixas exclusivas para motos nas principais vias da capital, com o objetivo de reduzir o número de acidentes. Só no ano passado, 15 mil acidentes na capital envolveram motociclistas. Por enquanto, a preocupação é se as avenidas comportariam a criação de motofaixas, tendo em vista que o fluxo de motos representa apenas 16% do trânsito nas grandes avenidas, e o restante ocupado por outros tipos de veículos.
Ainda segundo ela, o principal entrave para a criação das faixas é a largura das vias. "O principal problema é a largura da via mesmo. A pista de rolamento, para a gente colocar a motofaixa, a gente teria, em grande parte delas, de suprimir uma faixa de tráfego geral. E aí, se o trânsito de Belo Horizonte já é ruim, ficaria péssimo, né? Então, esse é o principal desafio", apontou a subsecretária.
O motoboy Ederson Júnior, que é conselheiro de mobilidade urbana em BH, contesta o argumento da prefeitura de que a largura das vias seria um complicador para a implementação das vias. "Não faz muito sentido (a justificativa). Por exemplo, eu estive em São Paulo observando algumas vias de lá. É a mesma largura que nós temos aqui. O corredor (de motos) na cidade já acontece, a gente só quer que demarque, que faça uma coisa sinalizada para trazer mais segurança para o trabalhador", disse Ederson Júnior.
Presidente da Comissão, o vereador Bráulio Lara (Novo) avalia que a criação das motofaixas não beneficiarão apenas os motociclistas. "Quanto menos acidente tiver, melhor é na coletividade. Para quem está dirigindo, às vezes a pessoa fica até apavorada com aquele tanto de moto passando para um lado e para o outro. Se você tem uma demarcação do corredor da motofaixa, a tendência é que aquele local é aonde todos vão passar. Não é questão que seja obrigatório, mas é uma tendência natural, porque passa a ser uma faixa segura, e quem está trocando de faixa próximo da motofaixa vai ter muito mais atenção, vai conseguir se posicionar melhor no trânsito", argumentou o vereador.
Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



