'Não tem dinheiro para pagar tudo', dizem escolas de samba sobre carnaval de BH
Audiência pública na Câmara de BH debateu os desafios para a realização do carnaval de BH em 2024

O presidente da Liga das Escolas de Samba de Belo Horizonte, Márcio Eustáquio Antunes de Souza, afirmou nesta quarta-feira (13), durante reunião do grupo de trabalho do Carnaval na Câmara Municipal, que não há dinheiro para pagar tudo que envolve a festa do ano que vem.
Segundo ele, uma reunião feita nesta semana com a Belotur, terminou com o acordo que haverá pagamento de apenas 40% do subsídio previsto para as escolas de samba. Sobre o restante do dinheiro, ainda não há data definida para o pagamento. Eustáquio afirmou que o impacto será grande na estrutura da festa e poderá gerar endividamento das escolas.
"Não tem dinheiro pra pagar tudo, neste momento. Eles vão pagar 40% agora na sexta-feira, e vão pagar também o restante assim que o prefeito publicar um outro decreto, e não sabem quando será publicado. Eu to torcendo que isso aconteça, por que a gente não tem em Belo Horizonte onde comprar os insumos do carnaval, tudo é comprado no Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Uma pena que custa 5 reais em abril, custa 20 agora", afirmou
"Quando eu falo pra cadeia produtiva do carnaval que o dinheiro não chegou ainda, e hoje é dia 13 de dezembro, eu tô dizendo que vai ser mais um carnaval que vai ficar endividado, mais um carnaval com vai ter que vender o carro, mais um carnaval que vão falar com a gente que vai ter que dar a casa de garantia no banco por que é a única coisa que eu tenho"
Também participou da reunião o presidente da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte (Belotur), Gilberto Castro. Ele afirmou que há dificuldades para garantir os recursos necessários para a festa de 2024.
"Não tem nem discussão mesmo, o dinheiro tem que chegar antes... Existe dificuldade? Existe! Mas não vou ficar falando aqui sobre as dificuldades, pois elas não são maiores do que a necessidade do dinheiro. É uma discussão besta! Eu acho que a discussão tem que ser, colocar alguns parâmetros e buscar uma solução. A gente tá aqui pra escutar, e vale a pena dizer que nesta gestão existe uma orientação de um trabalho conjunto", afirmou Castro.
"Quando eu falo da dificuldade de ter mais recurso nos editais, fica parecendo que foi a Belotur que escolheu dar pouco dinheiro. Não é isso! A gente tem um recurso pra fazer alguma coisa, com as suas dificuldades. É claro que temos muitas outras possibilidades, mas as dificuldades também existe, não só no recurso pro atores, mas recursos para várias outras coisas", explicou o presidente da Belotur.
Desfile sem jurados
O presidente da Liga das Escolas de Samba de Belo Horizonte, Márcio Eustáquio, afirmou durante a reunião, que até agora não há definições sobre o quadro de jurados para os desfiles das agremiações em 2024. A abertura da licitação pública para contratação da empresa responsável ficou para o final do ano, e portanto, não há definição enquanto o prazo já está apertado.
"A licitação pra jurados é pro dia 27 deste mês, para escolher a empresa de jurados que vai avaliar o carnaval. Eu sei como é que isso funciona... Se der deserto, eu preciso abrir uma outra licitação, e fazer um processo de chamamento público. Então a gente não sabe ainda qual é a empresa de jurados que vai avaliar o carnaval de Belo Horizonte, e não sabemos se teremos uma. Estamos a 60 dias do carnaval! Estas coisas já nos dão a gravidade do que as escolas de samba vão enfrentar mais uma vez", concluiu.
Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.


