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MPT dá 8 dias para governo federal se manifestar sobre adiamento da concessão do metrô de BH

Greve dos metroviários completou um mês nesta semana em meio a impasse sobre continuidade do processo de privatização

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Passageiros estão sem serviço do metrô em Belo Horizonte há mais de um mês
Passageiros estão sem serviço do metrô em Belo Horizonte há mais de um mês • Rômulo Ávila/Itatiaia

O Ministério Público do Trabalho (MPT) deu prazo de uma semana para que o governo federal se manifeste sobre a recomendação para adiar a assinatura do contrato de concessão do metrô de Belo Horizonte. Uma nova reunião foi marcada para a sexta-feira da semana que vem, dia 24 de março, 40 dias após início da greve dos metroviários.

Mais cedo, os procuradores se reuniram em Brasília com metroviários e representantes dos ministérios das Cidades e Casa Civil, mas nenhuma proposta foi apresentada pelo governo federal. Os trabalhadores pedem uma solução para os 1.600 funcionários públicos que podem perder seus postos com a privatização do metrô de Belo Horizonte.

Em dezembro do ano passado, o Grupo Comporte venceu o leilão ao apresentar uma proposta de R$ 25 milhões. Após a assinatura do contrato, que pode ocorrer ainda neste mês, mas sem data definida, a empresa passa a fazer os primeiros investimentos em melhorias da linha 1. Conforme o contrato, também está prevista a construção da linha 2 do metrô de Belo Horizonte.

Adiamento da assinatura do contrato do metrô de BH

Na semana passada, depois de uma reunião com os metroviários em Brasília, o MPT recomendou o adiamento da assinatura do contrato do metrô de Belo Horizonte. O órgão pede que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) o adiamento até que as negociações trabalhistas com os metroviários se encerrem. A resposta depende do governo federal, que ainda não se manifestou sobre o assunto.

Em greve desde 14 de fevereiro, os trabalhadores querem cancelar a privatização do metrô - cujo leilão foi vencido pelo Grupo Comporte em dezembro do ano passado. Outra alternativa é que os servidores concursados sejam absorvidos pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), que tem operação em outras capitais.

Os metroviários prometeram, na última sexta-feira (10), encerrar a greve na próxima quarta-feira (15), caso o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) adie a assinatura do contrato.

Zema não crê em adiamento da privatização

Se, por um lado, o governo federal ainda não se manifestou oficialmente sobre o pedido de adiamento da assinatura da concessão do metrô de Belo Horizonte, em Minas Gerais, o governador Romeu Zema (Novo) diz que está tudo certo para o prosseguimento da privatização.

Zema recebeu o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) nesta semana e aproveitou a presença do número 2 do governo federal para dizer que a concessão "já está definida".

“Estamos otimistas com os próximos quatro anos, temos atraído um volume recorde de investimentos. Nos primeiros quatro anos foram R$ 270 bilhões, boa parte deles para energia renovável. Isso vai continuar e agora teremos grandes obras, como o Rodoanel, que vai melhorar o trânsito de BH, a concessão já está definida, e temos também já definido com o governo federal, a construção e ampliação do metrô de Belo Horizonte, que há mais de 20 anos não recebe nenhuma extensão. Apesar de sermos uma grande cidade, temos o metrô muito limitado. Essas duas obras vão contribuir para que a mobilidade na região metropolitana seja muito melhor”, afirmou Zema na ocasião. 

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Editor de política. Foi repórter no jornal O Tempo e no Portal R7 e atuou no Governo de Minas. Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem MBA em Jornalismo de Dados pelo IDP.