Movimentação do PT por candidato próprio em BH irrita federação e PV manda recado: 'sem autoritarismo'
Ala petista quer candidatura de Rogério Correia, mas aliados falam em debate prévio

A movimentação do PT mineiro em tentar emplacar o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) como candidato natural à Prefeitura de Belo Horizonte deixou aliados irritados. Na semana passada, petistas anunciaram que a presidente nacional do partido, Gleisi Hoffmann, virá à capital mineira em breve para anunciar possíveis nomes para a disputa. O problema é que a maioria dos membros da federação PT-PV-PCdoB, formada em 2022, só ficou sabendo da agenda pela imprensa.
Novidade na eleição do ano passado, as federações atuam como se fossem partidos únicos. Neste caso, inclui-se aí também que a consolidação de candidaturas só é viabilizada a partir de decisões internas que contemplem a maioria dos grupos. É aí que mora o problema para a ala petista que defende uma candidatura própria. O PV, por exemplo, quer continuar apoiando a reeleição de Fuad Noman (PSD).
Para o presidente do PV mineiro, Osvander Valadão, a movimentação do PT por uma candidatura própria foi uma surpresa. "Não há espaço para autoritarismo, imposição ou decisões unilaterais entre nós. E essa premissa levamos também para os campos onde nos propomos estar e atuar”, disse, pontuando ainda que construção coletiva e debate são preceitos "intrínsecos" na legenda. “Se você ler o programa e o estatuto da Federação, verá que existe um coletivo, de pessoas de cada Partido, que compõem a Assembleia. Existem regras muito bem detalhadas para as decisões que envolvem os três partidos. Quando falamos em nomes para eleições, principalmente nas grandes cidades e na capital, não há caminho de construção senão pelo diálogo democrático”.
No caso da federação PT-PV-PCdoB, os petistas possuem maioria de cerca de 60% dos quadros da Assembleia partidária. A questão, no entanto, é que nem dentro do PT há um consenso sobre candidatura própria.
À coluna, o presidente do PT mineiro, o deputado estadual Cristiano Silveira, afirmou que as decisões sobre disputas passarão necessariamente pelo entendimento da federação. "Entendo que o PT tem toda liberdade para apresentar nomes de pré candidatos a prefeito de BH, mas com certeza a decisão da tática eleitoral na capital passa por decisão da federação, e portanto o entendimento com PV e PCdoB e imprescindível", afirmou.
Na semana passada, a coluna mostrou que a defesa da candidatura do deputado federal Rogério Correia passa por uma construção interna no PT. Correia tem se aproximado da tesoureira nacional do partido, Gleide Andrade, e tem contado com o apoio dela para alinhavar apoio interno para emplacar a candidatura. Foi Andrade, por exemplo, quem conseguiu costurar a agenda de Gleisi Hoffmann em BH.
Nomes no PV
Osvander Valadão defendeu, ainda, que o próprio PV possui nomes competivivos que podem ser analisados pela federação como alternativas para disputar a prefeitura. “Temos dois deputados de muita força em Belo Horizonte, como o Mário Henrique Caixa, cuja votação é sempre uma das mais expressivas; e o Betinho Pinto Coelho, que atualmente é também um dos vice-presidentes da Assembleia Legislativa. Temos ainda o vereador Dr. Célio Frois, atuando de forma brilhante na Câmara Municipal. O Partido Verde tem nomes capazes de representar o eleitor belo-horizontino”.
Para ele, contudo, a criação de uma frente ampla e unificada é o melhor caminho para a disputa do pleito em Belo Horizonte. “É inadmissível que um partido sozinho queira conduzir os rumos de construções que são coletivas, principalmente quando se trata da capital”, disse, fazendo o registro, ainda, de que Fuad Noman apoiou Lula na eleição presidencial do ano passado. “Outros partidos também caminharam conosco nas últimas eleições. É preciso tratá-los com respeito”.
Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.
