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Moradores do Vale do Jequitinhonha denunciam má qualidade de água fornecida por subsidiária da Copasa

Moradores de Cachoeira do Pajeú e Padre Paraíso relatam água 'suja', preços exorbitantes na conta de água e mortandade de peixes em rio

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Vídeo feito por moradores do Vale do Jequitinhonha mostra água fornecida pela Copanor na região
Vídeo feito por moradores do Vale do Jequitinhonha mostra água fornecida pela Copanor na região • Elizabete Guimarães/ALMG

Moradores de cidades do interior de Minas Gerais denunciam que empresa ligada à Companhia de Saneamento e Abastecimento de Minas Gerais (Copasa) está oferecendo água de péssima qualidade no Vale do Jequitinhonha. As reclamações atingem o serviço prestado pela Copanor, subsidiária da Copasa e responsável por atender as regiões Norte e Nordeste de Minas Gerais.

Em vídeo ao qual a Itatiaia teve acesso, um morador abre a torneira e coloca a água em um copo transparente. Ao abrir a torneira, a água que sai tem uma cor amarelada, de aspecto barroso. A água é tão turva que não dá pra ver o outro lado do copo. Em outro vídeo, um morador enche um balde de água. A água também tem uma cor de barro e é impossível enxergar o fundo do balde por causa da turbidez.

Uma das cidades prejudicadas é Padre Paraíso, no Vale do Jequitinhonha. O prefeito Diego Oliveira (Solidariedade) denuncia, ainda, cobranças abusivas.

"A água lá, realmente, é de má qualidade e eu gostaria de saber dele se ele daria uma água daquelas para os filhos deles. É isso que a gente tem que cobrar, essa é nossa luta diária contra a Copanor. Estamos cansados de promessas. Estou há três anos na prefeitura, todo ano temos reuniões com ele e não melhora nada", critica. "Há muito tempo está tendo uma má prestação de serviços em nosso município e entramos com uma ação judicial para suspensão das contas que estavam chegando. Eram muito contraditórias: uma escola, a maior da comunidade, estava vindo uma conta de R$ 100 e uma família constituída por pai, mãe e dois filhos estava vindo uma conta de R$ 13 mil", denuncia.

Os moradores da cidade Cachoeira de Pajeú, também no Vale do Jequitinhonha, também relatam problemas parecidos.

"O distrito de Águas Altas e a comunidade de Mangueira se encontram uma prestação de serviço de péssima qualidade. A população paga uma tarifa altíssima de água pela Copanor e a água não serve para consumo humano", diz o presidente da Câmara Municipal, Wendel Arruda, (PT).

O parlamentar também relata que a empresa estaria lançando esgoto sem tratamento direto no leito do rio, o que teria provocado mortandade de peixes, conforme registro de moradores das regiões.

"Nossos rios estão precisando ser revistos, até mesmo pelo fato de passar uma rede de esgoto no rio, transbordando os resíduos das residências diretamente no rio. Acredito eu que foi uma das principais causas que ocasionou a mortalidade desses peixes", afirmou.

As denúncias foram apresentadas durante uma audiência pública, nesta segunda-feira (11), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O deputado Jean Freire (PT) classificou a situação como inaceitável.

"Aquela água [referindo-se ao vídeo relatado no início desta reportagem] mostra uma água oferecida à população de um distrito de Padre Paraíso. Água de péssima qualidade. A Copanor diz que a água está normal e que o laboratório fez uma pesquisa e diz que a água está normal. São várias comunidades que trazem essa demanda aqui. Eu, como médico, sei a importância da água na nossa vida e um dos principais vetores de doenças, como a diarreia, que pode levar crianças e idosos à morte. É vergonhoso", afirma.

O que diz a Copanor

Questionado pela Itatiaia, o assessor técnico da Copanor, Adailson Costa, disse que a qualidade da água para consumo humano foi aprovada por testes de laboratório. E negou envolvimento da subsidiária da Copasa com a morte dos peixes.

"Tivemos alguns problemas antes do início da operação efetiva na comunidade era uma agua distribuída por meio de captações que não existia tratamento. Copanor implementou o tratamento, iniciou a operação e o faturamento em janeiro deste ano. Eu não sei quando aquele vídeo foi feito, então eu propus que uma nova coleta fosse feita na presença dos vereadores, do prefeito, onde a gente possa atestar essa qualidade de água mais uma vez", explicou-se. A Copanor tomou conhecimento por meio da mídia, teve uma grande preocupação, estivemos no local juntamente com a polícia ambiental e não identificamos a morte de peixes. Coletamos amostra no local e nenhum parâmetro estava extrapolando as normas ambientais. Não conseguimos identificar o motivo desses peixes terem morrido nem a origem desse vídeo", completou.

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Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.

 

 

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