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Ministro quer incluir Bahia em repactuação de Mariana, mas negociadores resistem

Rui Costa alega que Abrolhos foi atingida, mas maioria quer dano ambiental indo pra cota da União

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O acalorado debate pela entrada ou não da Bahia como parte nas negociações pela repactuação do acordo de Mariana deixou as conversas em marcha lenta nas últimas semanas. Nas reuniões mais recentes, a posição do ministro da Casa Civil, Rui Costa, é de que a região baiana de Abrolhos, no Sul do Estado, foi afetada pelos rejeitos da barragem do Fundão, que se rompeu em novembro de 2015 e, por isso, deveria também receber recursos oriundos do novo acordo - que, no pé atual, tem chegado na casa de mais de R$ 70 bilhões.

A insistência do ministro para que a Bahia receba parte dos recursos do acordo de reparação tem irritado quase todos os interlocutores que participam da roda de negociações. Na avaliação da maioria, se houve dano em Abrolhos, foi ambiental e, assim, o recurso de reparação estaria na cota já calculada da União, e não do Estado. Na contraproposta, o dinheiro para a região seria repassado via Ibama, e não direto ao governo baiano.

Estudos técnicos mostraram que, de fato, a onda de rejeitos atingiu corais do Parque Nacional de Abrolhos. Só que, na avaliação da maioria dos membros da mesa de negociação, o governo baiano e entidades da região não tiveram perdas econômicas ou despesas por conta do rompimento da barragem. A própria presença do rejeito em Abrolhos só foi ser detectada em pesquisa quase quatro anos depois da queda de Fundão.

Atualmente, participam das negociações como entes que pretendem receber recursos reparatórios os Estados de Minas, Espírito Santo e a União.

O rompimento da barragem de Fundão matou 19 pessoas e gerou dano ambiental ainda incalculável. A estrutura era administrada pela Samarco, mineradora controlada pela Vale e pela BHP Billiton.

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Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.