Militares golpistas usariam armamento de guerra contra Lula, Alckmin e Moraes; veja lista
A lista com o arsenal previsto revela o alto poderio bélico que estava programado para ser utilizado na ação, aponta PF

O grupo de militares que tramou um golpe de Estado no fim de 2022 tinha a ideia de usar armamentos de guerra para matar o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice, Geraldo Alckmin, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação consta em documento da Polícia Federal.
A lista com o arsenal previsto revela o alto poderio bélico que estava programado para ser utilizado na ação. São pistolas e fuzis (‘4 Pst 9 mm ou .40” e “4 Fz 5,56 mm, 7,62 mm ou .338’) comumente utilizados por policiais e militares. O material é reconhecido pela grande eficácia dos calibres elencados.
A PF destacou que também poderiam ser usadas:
- 1 metralhadora M249 – MAG – MINIMI (7,62mm ou 5,56 mm);
- 1 lança Granada 40 mm;
- e 1 lança rojão AT4.
“São armamentos de guerra comumente utilizados por grupos de combate”, diz a PF, explicando: “A primeira, M249, é uma metralhadora leve altamente eficaz, projetada para fornecer suporte de fogo em combate. A combinação de leveza, taxa de disparo e capacidade de alimentação a torna uma arma estimada em diversas situações táticas.”
A segunda, de acordo com a corporação, é uma arma projetada para disparar granadas de fragmentação ou munições especiais de 40mm que fornece capacidade de fogo indireto e versatilidade em termos de tipos de munição.
Já o terceiro armamento, AT4, é um lança-rojão, utilizado principalmente por forças armadas e de segurança para combate a veículos blindados e estruturas fortificadas.
O encontro teria acontecido no dia 12 de novembro daquele ano. Em 15 de dezembro, o grupo chegou a se reunir para tentar tirar do papel o plano contra Alexandre de Moraes.
De acordo com a Polícia Federal, o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro coronel Mauro Cid confirmou a reunião na casa de Braga Netto. O militar tem colaborado em depoimentos nas investigações sobre a suposta trama golpista.
Entre as alternativas para a execução de Moraes, estavam o uso de bomba e possível envenenamento do ministro em público.
“Há uma citação aos riscos da ação, dizendo que os danos colaterais seriam muito altos, que a chance de “captura” seria alta e que a chance de baixa (termo relacionado a morte no contexto militar) seria alto”, diz relatório da PF.
O contexto de emprego de armamentos extremamente letais, bem como de uso de artefato explosivo ou envenenamento revelam que o grupo investigado trabalhava com a possibilidade de assassinato do ministro Alexandre de Moraes. Tal fato é reforçado pelo tópico denominado “Danos colaterais passiveis e aceitáveis”, em que o documento descreve como passível “100%” e aceitável também o percentual de “100%”. Ou seja, claramente para os investigados a morte não só do ministro, mas também de toda a equipe de segurança e até mesmo dos militares envolvidos na ação era admissível para cumprimento da missão de “neutralizar” o denominado “centro de gravidade”, que seria um fator de obstáculo à consumação do golpe de Estado.
“Para execução do presidente Lula, o documento descreve, considerando sua vulnerabilidade de saúde e ida frequente a hospitais, a possibilidade de utilização de envenenamento ou uso de químicos para causar um colapso orgânico”, diz o documento.
Conhecidos como “kids pretos”, os militares integravam as Forças Especiais do Exército. Eles foram presos na operação ‘Contragolpe’, realizada nesta terça-feira (19) pela Polícia Federal. Um agente da própria corporação também foi alvo dos mandados de prisão cumpridos durante a ação.
As prisões ocorreram nas cidades do Rio de Janeiro, Goiás, Amazonas e Distrito Federal. Além disso, também são cumpridos três mandados de busca e apreensão e 15 medidas cautelares diversas da prisão, que incluem a proibição de manter contato com os demais investigados, a proibição de se ausentar do país, com entrega de passaportes no prazo de 24 horas, e a suspensão do exercício de funções públicas.
Os presos são:
Tenente-coronel Hélio Ferreira Lima (ex-comandante da 3ª Companhia de Forças Especiais em Manaus)
- General Mario Fernandes (ex-comandante de Operações Especiais do Exército - ‘kids pretos’. Também foi assessor da presidência durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro)
- Tenente-coronel Rafael Martins de Oliveira (integrante das Forças Especiais - ‘kids pretos’)
- Tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo (integrante das Forças Especiais - ‘kids pretos’)
- Wladimir Matos Soares (policial federal lotado na Superintendência Regional do Distrito Federal)
É jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Cearense criado na capital federal, tem passagens pelo Poder360, Metrópoles e O Globo. Em São Paulo, foi trainee de O Estado de S. Paulo, produtor do Jornal da Record, da TV Record, e repórter da Consultor Jurídico. Está na Itatiaia desde novembro de 2023.



