Mauro Vieira chama discurso de Milei de agressivo e cobra respeito
Chanceler diz que rebaixamento das relações com a Argentina não teve motivação ideológica, mas foi resposta aos ataques de Javier Milei contra Lula e instituições brasileiras

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira (5) que o rebaixamento das relações diplomáticas entre Brasil e Argentina não teve motivação ideológica. Segundo o chanceler, a decisão foi tomada em resposta às declarações do presidente argentino, Javier Milei, classificadas por ele como "agressivas", "grosseiras" e sem precedentes na relação entre os dois países.
Vieira disse que Milei fez quatro manifestações públicas, em um intervalo de uma semana, com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao governo brasileiro e às instituições nacionais. Para o ministro, os ataques romperam os padrões de respeito que historicamente marcaram a relação bilateral.
O chanceler afirmou que o governo brasileiro solicitou explicações formais à Argentina e que o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, permanecerá no país enquanto não houver uma resposta considerada satisfatória. Segundo ele, a representação diplomática brasileira continuará sob responsabilidade de um encarregado de negócios.
Vieira também rejeitou a avaliação do governo argentino de que a reação brasileira decorre de divergências políticas. "A questão ideológica é totalmente secundária. Educação e respeito são fundamentais. Sem isso não pode haver diálogo", afirmou.
A crise diplomática se intensificou após a participação de Milei na convenção nacional do PL, em São Paulo, quando o presidente argentino fez ataques a Lula e ao Supremo Tribunal Federal durante o evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O episódio levou o Itamaraty a rebaixar o nível das relações diplomáticas entre os dois países.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



