Mauro Cid repete estratégia da CPMI do 8 de janeiro e não responde perguntas em CPI da CLDF
Ex-ajudante de ordens foi convocado na condição de testemunha para explicar possível envolvimento em ações que culminaram na invasão e depredação das sedes dos Três Poderes

O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, decidiu ficar em silêncio durante o depoimento nesta quinta-feira (24) na CPI da Câmara Legislativa do Distrito Federal que investiga os atos antidemocráticos de 8 de janeiro, assim como na CPMI quando usou o direito de ficar calado mais de 40 vezes para não responder as perguntas em 11 de julho. Preso desde o dia 3 de maio, Cid foi ouvido na condição de testemunha na CLDF, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal.
Mauro Cid veio acompanhado do advogado, Cezar Bitencourt, que também defende o ex-ajudante de ordens no caso da venda indevida das joias sauditas recebidas pela Presidência após viagem à Arábia Saudita em 2021. Bitencourt insistiu que Cid era investigado no inquérito dos atos antidemocráticos e utilizaria o direito de ficar calado e foi confrontado pelo presidente da CPI na CLDF, deputado Chico Vigilante (PT-DF), que lembrou o advogado que quem decide a condição do depoente é o STF e a decisão da Corte determinou que Mauro Cid fosse ouvido na condição de testemunha.
Assim como na CPMI no Congresso, Cid fez uma breve apresentação de suas funções como ajudante de ordens do ex-presidente. Mas, dessa vez, o tenente-coronel buscou se distanciar de qualquer autonomia no exercícios de suas funções afirmando ter atuado apenas como "cumpridor" de ordens. Segundo Mauro Cid, a ajudância de ordens é função “exclusivamente de natureza militar”. O tenente-coronel fez questão ainda de falar sobre as atribuições do cargo, entre elas “receber correspondências e objetos entregues ao presidente da República em cerimônias e viagens e encaminhar aos setores competentes”.
Sobre as perguntas feitas pelos deputados distritais, o tenente-coronel permaneceu em silêncio enquanto era questionado pelo presidente da CPI e após serem exibidos vídeos e áudios que fazem parte da investigação. “Em respeito ao Congresso Nacional e seguindo na mesma linha adotada naquela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito e sem qualquer intenção de desrespeitar a Vossa Excelência e os trabalhos conduzidos pela CPI, considerando a minha inequívoca condição de investigado e por orientação da minha defesa técnica, farei uso em toda a comissão do meu direito constitucional ao silêncio”, disse.
Os deputados Fábio Felix e Max Maciel, ambos (PSOL-DF), afirmaram não acreditar que Cid era um mero ajudante de Bolsonaro. Após finalizar umas das quatro perguntas feitas ao tenente-coronel, Max Maciel disse que "ao fazer um gesto negativo com a cabeça" Mauro Cid teria confirmado que não era um mero ajudante de ordens, mas o chefe da ajudância de ordens.
O deputado Thiago Manzoni (PL-DF), não fez perguntas, mas usou o tempo que tinha direito para exaltar a liderança do ex-presidente. "A direita continua no centro político no nosso país; os nossos valores e o Bolsonaro representa isso. Por isso ele apanha", enfatizou.
A CPI na Câmara Distrital foi prorrogada e entra agora em uma nova fase em que deve se debruçar sobre a atuação da Polícia Militar nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Na sessão de hoje, foi aprovado um requerimento para convocação do hacker Walter Delgatti Neto para falar sobre acontecimentos ligados ao 8 de janeiro. Os distritais também aprovaram um requerimento que solicita ao Gabinete de Segurança Institucional que preste informações relacionadas aos atos de vandalismo na sedes dos Três Poderes, esclarecendo os procedimentos adotados na segurança das instalações do Palácio do Planalto, e inclusão de documentos comprobatórios, “Plano Escudo”, o responsável pelo planejamento da segurança do Palácio do Planalto, a classificação de risco dada ao movimento, informações de inteligência recebidas da ABIN (Relatórios e Alertas de Inteligência), o efetivo escalado para proteção do prédio, eventual reforço e outras informações.
Diante do silêncio de Mauro Cid, o presidente da CPI afirmou que deve convocar uma sessão extraordinária quando o tenente-coronel resolver falar. "Pela troca de olhares entre ele e o advogado, ele tem muito o que falar", afirmou Chico Vigilante.
Na próxima sessão marcada para quinta-feira (31) serão ouvidos pela CPI o indígena José Acácio Serere Xavante e o bolsonarista preso Armando Valentin Settin Lopes.
Repórter da Itatiaia em Brasília