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Lula diz que vai conversar com o Senado antes de indicar sucessor de Campos Neto no Banco Central

Em entrevista, presidente desconversou sobre indicação de Gabriel Galípolo, atual diretor de política monetária do BC

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Presidente deve conversar com membros do Senado antes de indicar sucessor de Campos Neto  • Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (16) que ainda deve discutir com o Congresso Nacional a sucessão de Roberto Campos Neto na presidência do Banco Central (BC) antes de bater o martelo sobre quem será o novo presidente da instituição.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, Lula foi questionado diretamente sobre a possível indicação de Gabriel Galipolo para o cargo, algo que é especulado nos bastidores desde que o ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda deixou o cargo para integrar a diretoria do Banco Central. No entanto, Lula desconversou sobre a indicação.

"Eu não sei se é o Galípolo. Eu sei é que eu tenho o direito de indicar agora o presidente do Banco Central e mais alguns diretores. Antes de indicar, eu quero conversar com o presidente do Senado, da Comissão [de Constituição e Justiça]. Para que as pessoas, ao serem indicadas, sejam votadas logo, para que não fiquem sofrendo desgaste e especulação política durante meses e meses", disse Lula.

A lei de autonomia do Banco Central prevê que o presidente e os diretores do Banco tenham mandatos fixos de 4 anos, não coincidentes com o mandato do Presidente da República, podendo ser reconduzidos uma única vez, por decisão do Presidente da República.

Com o mandato de Campos Neto se encerrando ao final deste ano, Lula deverá indicar nos próximos meses o sucessor, que precisa ser sabatinado e aprovado em votação no Senado.

Críticas ao atual presidente do BC

A queda de braço entre o governo federal e o Banco Central pela redução na taxa de juros se arrasta desde que Lula assumiu a presidência, em 2023. Na visão da equipe econômica, a manutenção da taxa Selic em patamares elevados tem prejudicado a recuperação da economia brasileira e impedido com que o governo tenha sucesso em ofertar crédito com juros baixos.

Por outro lado, o Banco Central tem feito avaliações sobre o cenário externo dos juros e se ancorado na taxa de juros do Estados Unidos, que tem oscilado nesse período. Mas para Lula, a decisão, na realidade, é política - já que Campos Neto foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e teria interesse em prejudicá-lo.

Na entrevista desta sexta-feira, Lula apontou que o descontentamento com o atual presidente do BC é geral, e não pessoal.

“Ele desagradou o país. O setor produtivo desse país. Porque não tem explicação a taxa de juros ainda estar a 10,25%, não existe explicação para isso. Nós levamos em conta a necessidade de autonomia do Banco Central, mas é importante lembrar que o Banco Central deve ao povo brasileiro", disse Lula.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

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