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Conheça a carreira política de Ciro Gomes, pré-candidato ao governo do Ceará

Ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda, o político retorna ao PSDB para disputar o Palácio da Abolição pela segunda vez em 2026

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Candidato do PDT, Ciro Gomes
Ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda, Ciro Gomes (PSDB) disputa o governo do estado em 2026 após retornar ao partido pelo qual governou o Ceará na década de 1990Ciro Gomes, ex-governador do Ceará e pré-candidato do PSDB ao governo do estado em 2026 • Divulgação/Redes Sociais

Ciro Ferreira Gomes nasceu em 6 de novembro de 1957, em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. Ainda criança, mudou-se com a família para Sobral, no Ceará, onde cresceu e iniciou sua trajetória política. É advogado, formado em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1979, e atuou como professor de Direito Tributário e Constitucional em universidades cearenses.

Vem de uma família com longa tradição política: seu pai e seu irmão Ivo foram prefeitos de Sobral; o irmão Cid Gomes (PSB) foi governador do Ceará por dois mandatos e é atualmente senador, com mandato encerrando em 2027 — a base governista articula sua candidatura à reeleição, mas ele ainda não confirmou formalmente a disputa.

Ciro Gomes é pré-candidato ao governo do Ceará nas eleições de 2026 pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). É a segunda vez que disputa o cargo — governou o estado entre 1991 e 1994. A candidatura será oficializada na convenção partidária, prevista para agosto.

Os primeiros mandatos no Ceará

Em 1982, Ciro foi eleito deputado estadual pelo PDS, partido de seu pai, José Euclides Ferreira Gomes, então prefeito de Sobral. Atuou na Assembleia Legislativa do Ceará durante dois mandatos e tornou-se líder do governo de Tasso Jereissati (PSDB) na segunda legislatura.

Em 1988, elegeu-se prefeito de Fortaleza, tomando posse no ano seguinte. Nos 15 meses à frente da prefeitura, promoveu uma reforma fiscal que saneou as contas públicas da capital e, com altos índices de aprovação, deixou o cargo para concorrer ao governo do estado.

O governo do Ceará

Em 1990, filiado ao PSDB, Ciro foi eleito governador do Ceará com 56% dos votos, assumindo o Palácio da Abolição em 1991. Em 1992, pesquisa do Datafolha registrou sua aprovação em 64% — à época, um dos governadores mais bem avaliados do país.

À frente do governo, priorizou saúde, educação e infraestrutura hídrica. O Programa Viva Criança reduziu a mortalidade infantil no estado em um terço, e Ciro recebeu o Prêmio Maurice Paté, do Unicef, em 1993 em Nova York — a primeira vez que o prêmio foi concedido a um governante latino-americano.

No mesmo ano, diante de uma seca severa que ameaçava o abastecimento de Fortaleza, coordenou a construção do Canal do Trabalhador, obra de 113 quilômetros que ligou o rio Jaguaribe à Região Metropolitana de Fortaleza em cerca de três meses, evitando o colapso no fornecimento de água à capital cearense.

O Ministério da Fazenda e o Plano Real

Em setembro de 1994, o presidente Itamar Franco convidou Ciro para o Ministério da Fazenda, no lugar de Rubens Ricupero. Assumiu o cargo nos meses finais de implementação do Plano Real — programa de estabilização econômica que pôs fim à hiperinflação no Brasil. Deixou o ministério em janeiro de 1995, após quatro meses no cargo.

Em seguida, atuou como pesquisador visitante na Escola de Direito da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, entre 1995 e 1996 — período em que iniciou parceria intelectual com Roberto Mangabeira Unger, professor da instituição e referência no debate sobre desenvolvimento econômico e reforma do Estado no Brasil.

Ciro Gomes comandou o Ministério da Fazenda por quatro meses em 1994, período em que o Plano Real estabilizou a economia brasileira e pôs fim a décadas de hiperinflação • Keiny Andrade | Reprodução.
Ciro Gomes comandou o Ministério da Fazenda por quatro meses em 1994, período em que o Plano Real estabilizou a economia brasileira e pôs fim a décadas de hiperinflação • Keiny Andrade | Reprodução.

As candidaturas à Presidência da República

Filiado ao PPS, Ciro candidatou-se à Presidência em 1998 e ficou em terceiro lugar com 10,97% dos votos. Em 2002, candidatou-se novamente e terminou em quarto lugar. Apoiou Lula no segundo turno e integrou o primeiro governo petista como ministro da Integração Nacional entre 2003 e 2006, período em que planejou a transposição do rio São Francisco.

Em 2006, elegeu-se deputado federal pelo PSB com a maior votação proporcional do país naquele pleito, com 16% dos votos do eleitorado cearense, encerrando o mandato sem disputar a reeleição.

Em 2018, candidatou-se à Presidência pelo PDT e terminou em terceiro lugar, com 12,47% dos votos. Em 2022, obteve 3,05% dos votos na mesma disputa. Não declarou voto em nenhum candidato no segundo turno, o que gerou críticas amplas do eleitorado de esquerda.

O retorno ao PSDB

Em outubro de 2025, Ciro deixou o PDT e retornou ao PSDB, após articulação do ex-senador Tasso Jereissati, seu aliado histórico. O movimento sinalizou a disposição de disputar o governo do Ceará, estado governado pelo PT desde 2007.

Em 16 de maio de 2026, Ciro oficializou a pré-candidatura ao governo do Ceará em evento realizado em Fortaleza, marcado pela aproximação com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro no estado e por críticas ao grupo político do PT cearense. O ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União Brasil) é cotado para compor a chapa como vice-governador.

As turbulências no campo conservador

A aproximação com o campo bolsonarista, no entanto, não se deu sem tensões. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais criticando a aliança entre lideranças do PL cearense e Ciro, chegando a afirmar que apoiar o ex-governador seria "traição" a Jair Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por outro lado, sinalizou abertura para a aproximação.

A pré-candidatura ao governo em 2026

Na pesquisa do Datafolha divulgada em 23 de março de 2026, Ciro lidera a disputa pelo governo do Ceará com 47% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno. O levantamento ouviu 816 eleitores em 35 municípios entre os dias 16 e 18 de março, tem margem de erro de 3 pontos percentuais e está registrado no TSE sob o número CE-07925/2026. O principal adversário de Ciro nas pesquisas é o atual governador Elmano de Freitas (PT), que aparece com 32% e tenta a reeleição.

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Jornalista formado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Atuou com produção de conteúdo editorial e cobertura de pautas voltadas a tecnologia, negócios e comportamento digital. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.