Lula defende produção nacional de fertilizantes para diminuir dependência externa
Em meio à guerra, presidente defende a produção de fertilizantes pela UFN-III, segmento da Petrobras, e critica política de desinvestimento e privatização

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou a privatização de projetos empreendidos pela Petrobras, como o segmento de produção de fertilizantes. A declaração foi dada durante a reinauguração da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS). A empresa é um dos novos segmentos estratégicos da estatal para reduzir a dependência externa do Brasil desses produtos.
Lula questionou quais foram os benefícios para o país com a privatização de setores estratégicos, como o de gás. Referiu-se à venda da Liquigás, uma das principais distribuidoras brasileiras de gás de cozinha com forte presença no mercado residencial, comercial e industrial.
“O que o Brasil ganhou quando venderam a Liquigás? Uma empresa que eu tinha comprado para que a Petrobras participasse da regulação do preço do gás de cozinha”, refletiu.
Na sequência, o presidente alfinetou o governo anterior. Sem citar nomes, explicou que governar anda interligado com tomadas de decisões que são voltadas para o bem-estar da população.
“Vocês precisam ficar atentos porque muita gente travestido de investidor, de gestor na verdade é um vendedor de coisas públicas a preço de banana. O cara não sabe governar, não tem competência para governar ele, então, fala eu vou vender. Se ele quer ser um vendedor, não quer ser um governante, ele que procure outra profissão”, alertou durante a cerimônia.
O investimento para a retomada das obras será de aproximadamente R$ 5 bilhões. O início do processo começará ainda esse mês e a previsão de entrega é até 2029. Hoje, o Brasil depende da importação de fertilizantes, embora o consumo do produto seja de cerca de 80%, principalmente pelo setor do agronegócio. A análise do governo diante desse cenário é que a venda ou paralisação de unidades como a UFN-III aumenta a dependência externa brasileira e compromete a produção interna.
Processo de privatização
As atividades da UFN-III foram interrompidas em 2015, quando a unidade estava cerca de 80% concluída. A Petrobras incluiu o ativo em seu plano de desinvestimentos, que iniciou no governo de Michel Temer, e anunciou a intenção de vendê-lo. Em 2017, o processo de venda foi formalizado.
Lula costuma defender que setores considerados essenciais, como fertilizantes, refino e energia devem ser fortalecidos pelo Estado. A crítica é sobre a política de desinvestimentos dos governos anteriores na Petrobras que tiveram seus ativos colocados à venda ou suas atividades interrompidas.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



