Lula abre espaço para o PT em posse de Gleisi e Padilha nesta segunda-feira
Ministros petistas foram priorizados por Lula em parte da reforma ministerial e devem ter papel chave na corrida eleitoral em 2026

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializa, nesta segunda-feira (10), uma nova etapa da reforma ministerial em curso desde o ano passado. Em cerimônia no Palácio do Planalto, às 15h, Alexandre Padilha assume o Ministério da Saúde, enquanto Gleisi Hoffmann será nomeada ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI).
A reformulação amplia ainda mais a presença do PT no governo, que agora passa a comandar 12 ministérios — dois a mais do que no início do mandato.
Padilha retorna à Saúde; Gleisi assume articulação política
Na Saúde, Padilha reassume a pasta que já comandou entre 2011 e 2014, durante o governo de Dilma Rousseff (PT). Ele substitui Nísia Trindade, demitida por Lula no dia 25 de fevereiro.
Já a escolha de Gleisi Hoffmann pegou setores políticos de surpresa, pois seu nome era cotado para a Secretaria-Geral da Presidência, atualmente sob comando de Márcio Macêdo (PT). Para assumir o novo cargo, a deputada federal deixou a presidência do PT, que será ocupada interinamente pelo senador Humberto Costa (PE) até as eleições internas da legenda em julho.
Além de azeitar as articulações com Congresso, ambos terão como papel a retomada das articulações com os partidos, a fim de reeditar a coalização que deve apoiar o PT na diputa presidêncial em 2026, quando Lula deve disputar a reeleição.
Oito trocas ministeriais desde o início do governo
Esta é a oitava mudança na equipe ministerial desde o início do terceiro mandato de Lula. Três dessas alterações tiveram como objetivo ampliar a presença do Centrão no governo em troca de apoio político, como ocorreu na substituição de Daniela Carneiro por Celso Sabino (União Brasil) no Ministério do Turismo e na troca de Márcio França por Silvio Costa Filho (Republicanos) na pasta de Portos e Aeroportos.
Outras mudanças foram motivadas por crises internas. Um dos casos mais marcantes foi a substituição do chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) após a divulgação de imagens do então ministro Gonçalves Dias no Palácio do Planalto durante os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Também gerou repercussão a saída de Silvio Almeida do Ministério dos Direitos Humanos, após denúncias de assédio moral e sexual.
Em janeiro do ano passado, Lula promoveu uma alteração na pasta da Justiça e Segurança Pública, nomeando Ricardo Lewandowski para substituir Flávio Dino, indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A mais recente mudança ministerial ocorreu na Secretaria de Comunicação (Secom), com a substituição de Paulo Pimenta pelo publicitário Sidônio Palmeira. A decisão buscou melhorar a comunicação institucional do governo e impulsionar a popularidade de Lula em um período pré-eleitoral.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



