João Magalhães ganha força para ser líder de Zema, mas governo atua para evitar 'rebelião' na base
Emedebista pode distensionar relação, mas grupo zemista não quer 'nome de fora' na liderança

Parte do governo Zema está convencida de que o deputado estadual João Magalhães (MDB) deve ser o escolhido como novo líder de governo na Assembleia Legislativa, mas articuladores ainda tentam evitar uma "rebelião" dentro da base governista caso o emedebista seja mesmo o indicado para o cargo.
A ideia é que a escolha de Magalhães distensione a relação do governo com o grupo mais próximo ao presidente da Assembleia, Tadeu Martins Leite (MDB) - que, internamente, costuma chamar o correligionário de "padrinho". Depois da saída de supetão do ex-secretário Igor Eto, os contatos entre esse grupo e o governo Zema passaram por dias turbulentos.
Só há uma (grande) pedra no caminho para a indicação de Magalhães: um grupo de deputados da base governista não quer que o novo líder saia de um bloco de parlamentares que não tenha integrado a base de Zema "desde o início". Desde a semana retrasada, pelo menos 10 deputados já se reuniram com o novo secretário de Governo, Gustavo Valadares, para relatar o descontentamento.
A propósito, o objetivo de Valadares nos últimos dias tem sido justamente desarmar a bomba que pode gerar uma rebelião em parte da base de Zema na Casa. Uma das possibilidades, por exemplo, seria a saída de Magalhães da presidência da Comissão de Administração Pública e a indicação de um outro nome da base para presidir o colegiado.
Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.
