Inauguração de novas estações do metrô de BH tem protesto de moradores que cobram indenização
Moradores desapropriados para a obra da Linha 2 protestaram nesta sexta-feira (3); governo de Minas informa que acordos foram cumpridos

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), bateu boca com manifestantes que foram à inauguração de duas nova estações da Linha 2 do Metrô para cobrar o pagamento de indenizações por desapropriações.
Durante a inauguração nesta sexta-feira (3), com a presença do governador, o CEO da Metrô BH, Cláudio Andrade, além de autoridades, deputados e vereadores, cerca de 16 moradores compareceram ao hall da estação, onde o ato aconteceu. Com cartazes, eles criticavam a obra e pediam que as famílias não fossem esquecidas.
Os moradores elevaram o tom quando o governador começou a discursar, momento em que Simões os respondeu durante o discurso.
“Eu tenho uma notícia para dar para quem não gostou da inauguração do metrô. Independentemente de quem possa gritar, nós vamos continuar trabalhando para a maioria, que é quem vota para um governo democraticamente eleito” disse Mateus Simões.
'Sei quem paga a mortadela de vocês', diz Simões
Ao longo do discurso, que durou cerca de 11 minutos, Simões citou os recursos do acordo de reparação da tragédia de Brumadinho, que foram usados nas obras, e citou os mortos e familiares atingidos. Durante um destes momentos, os gritos continuaram, e o governador subiu o tom.
“Só enquanto eu falo de Brumadinho, respeitem Brumadinho. Vocês foram indenizados por terem ocupado uma linha do metrô que nem pertencia à vocês, pertencia ao povo. Estão aqui gritando, tentando atrapalhar um momento de alegria da população. Eu sei bem quem paga a mortadela de vocês”, afirmou Simões.
Apesar dos gritos, Simões concluiu seu discurso.
Moradores dizem que não foram indenizadas
Em entrevista à Itatiaia, Poliana Cristina Furtado, representante dos moradores do Bairro Vista Alegre removidos pela expansão do metrô, afirmou que 16 famílias retiradas do local foram retiradas com truculência de suas residências e não foram indenizadas completamente.
“No mês de maio de 2025, a gente fechou um acordo junto ao Ministério Público, Defensoria Pública, Metrô BH e Estado de Minas Gerais, onde foi acordado que as famílias seriam indenizadas, removidas e seguiriam suas vidas. No entanto, a gente deixou bem claro no compor que existiriam mais de 16 famílias que não estavam identificadas, e eles falaram que iria a campo, rever isso, que as famílias comprovassem que morava no local e que eles voltariam e incluiriam essas famílias às indenizações. No entanto, foi tudo ao contrário, a gente vem deparando, derrubando as casas sem ordem judicial, com força policial, não dando direito às famílias, colocando, batendo na porta às 5 horas da manhã e demolindo as casas, e o acordo não vem sendo satisfatório para todos. Então, nós viemos reivindicar o direito dessas famílias que ficaram de fora” afirmou a representante do grupo.
Governo diz que indenizações foram pagas
A assessoria de imprensa do Governo de Minas informou à reportagem que os moradores que manifestavam no evento são conhecidos da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade de Minas Gerais (SEINFRA), e foram integralmente indenizados em maio deste ano.
Na resposta, anexaram possíveis comprovantes bancários que demonstram transferências do governo a alguns destes moradores, com valores que variam entre 100 e 200 mil.
Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.



