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Governo recebe apoio de setores produtivos após lançar Plano Brasil Soberano III, diz ministro

Ministro afirma que setores econômicos aprovaram nova linha de crédito, destaca impacto fiscal zero da medida e diz que diálogo com os Estados Unidos continua sendo a principal estratégia

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Márcio Elias Rosa é o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços • Mdic

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (22) que o governo federal já começou a receber manifestações de apoio de setores produtivos após o lançamento do Plano Brasil Soberano III, programa criado para apoiar empresas afetadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos e por outros impactos no comércio internacional.

Segundo o ministro, além da boa recepção, representantes da indústria e do setor produtivo também apresentaram sugestões para o aperfeiçoamento das novas linhas de crédito: "Recebemos já manifestações de apoio à decisão do presidente Lula, seja à sanção do Brasil Soberano, seja a essa nova linha de crédito criada a partir de hoje. Diversos setores que vinham reivindicando já deram retorno e também apresentam sugestões, e nós estamos receptivos a todas essas sugestões."

Márcio Rosa explicou que o Brasil Soberano III é uma evolução das duas versões anteriores do programa. Segundo ele, a primeira etapa foi criada em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos em 2025. A segunda surgiu em fevereiro deste ano para enfrentar os impactos da guerra no Oriente Médio e da alta dos custos internacionais.

Agora, a terceira fase reúne os dois cenários e amplia o alcance do programa: "O Brasil Soberano 3 divide a assistência em três setores: os afetados pelos Estados Unidos, os resultantes dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio e os setores mais estratégicos para a nossa balança comercial."

Entre esses setores estratégicos, o ministro destacou o segmento de fertilizantes, considerado essencial para a economia brasileira devido à elevada dependência das importações.

Linha de crédito será regulamentada

O ministro informou que cerca de 22 setores econômicos, além de empresas individuais, participaram das reuniões realizadas pelo governo para discutir as medidas. Segundo ele, todas as entidades defenderam a criação de uma linha de crédito mais acessível para enfrentar o novo cenário internacional.

Márcio Rosa ressaltou, porém, que nem todas as empresas terão acesso automático aos recursos. Os critérios ainda serão definidos por um comitê interministerial: "Essa linha estará disponível para todos que atendam aos critérios objetivos que vão ser estabelecidos por um comitê a ser criado."

De acordo com o ministro, esse grupo deverá contar com representantes do MDIC, do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento e, possivelmente, da Casa Civil. O colegiado será responsável por definir quais setores serão contemplados, o volume de recursos destinado a cada área e os critérios para acesso ao financiamento.

Recursos podem não ser usados integralmente

Márcio Rosa explicou que os R$ 18,5 bilhões anunciados pelo governo representam o limite máximo disponível, mas não significam que todo o montante será necessariamente contratado: "Quando a gente fala em R$ 18,5 bilhões disponíveis, nós estamos falando em até esse valor. Pode ser que a gente não precise usar tudo isso."

Segundo o ministro, parte dos recursos utilizados agora corresponde a valores que sobraram da primeira edição do programa, lançada em 2025. Como esses recursos não chegaram a ser contratados pelas empresas, retornaram ao Tesouro Nacional e agora estão sendo reaproveitados: "Impacto fiscal zero. Esses recursos saíram do Tesouro, não foram utilizados, voltaram ao Tesouro e agora estão sendo usados novamente."

O ministro afirmou que o governo ainda está calculando quais empresas e setores serão elegíveis para as linhas de crédito. Segundo ele, o acesso deverá levar em consideração o grau de exposição de cada empresa às tarifas impostas pelos Estados Unidos: "Essa estimativa é que nós estamos fazendo. Por isso o diálogo com os setores é tão relevante."

As regras detalhadas deverão ser publicadas nos próximos dias por meio da regulamentação do programa.

Negociação continua sendo prioridade

Questionado sobre uma possível nova reunião entre representantes do Brasil e dos Estados Unidos para discutir o tarifaço, Márcio Rosa afirmou que ainda não há data definida. Apesar disso, ele garantiu que o governo brasileiro continuará apostando na via diplomática: "A perspectiva de encontro com os Estados Unidos ainda não há. Ela vai ocorrer, mas nós não sabemos quando. O mantra é negociar, negociar, negociar. Então a opção é negociar."

Segundo o ministro, essa continua sendo a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para enfrentar os impactos das tarifas impostas pelo governo norte-americano e buscar uma solução para o impasse comercial entre os dois países.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

 

 

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