Governo Lula tenta acelerar PL da Misoginia, mas enfrenta resistência na Câmara
Projeto está em regime de urgência desde julho e é uma das prioridades do Planalto em meio ao calendário reduzido do Congresso pelas eleições

O governo federal tenta acelerar nesta semana a votação do PL da Misoginia, mas enfrenta resistência de setores da Câmara, especialmente da bancada evangélica. O projeto, aprovado pelo Senado em março e em regime de urgência desde julho, está entre as prioridades do Planalto durante o esforço concentrado do Congresso.
A proposta estabelece como crime condutas motivadas por ódio ou aversão às mulheres. Na Câmara, a relatoria está com a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que defende a inclusão do texto na pauta de votações.
A resistência de parte dos deputados pode dificultar o avanço da proposta. Um levantamento do Palácio do Planalto aponta que a bancada evangélica é contrária à votação neste momento, o que aumenta a necessidade de articulação do governo com as lideranças da Câmara.
O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reúne nesta terça-feira (11) com líderes partidários para definir os projetos que poderão ser votados nos próximos dias. O governo tenta aproveitar a primeira semana de esforço concentrado para avançar com temas considerados prioritários antes que o calendário eleitoral reduza ainda mais o espaço para votações.
Calendário apertado
Câmara e Senado terão poucas semanas de funcionamento efetivo antes das eleições de outubro. As Casas devem concentrar votações entre 10 e 14 de agosto e, novamente, entre 31 de agosto e 3 de setembro.
A expectativa é de que a fase mais intensa da campanha eleitoral comece em meados de setembro, reduzindo a disponibilidade dos parlamentares para as atividades no Congresso.
O calendário aumenta a disputa por espaço nas pautas e obriga o governo a negociar com os líderes para evitar que projetos considerados prioritários fiquem sem votação.
‘Taxa das blusinhas’ também está na pauta
Além do PL da Misoginia, o governo tenta destravar medidas provisórias próximas do fim do prazo de validade. Entre elas está a MP que trata da chamada “taxa das blusinhas”.
Também estão pendentes de votação medidas relacionadas a crédito, combustíveis e programas de apoio a setores específicos.
A estratégia do Planalto é construir acordos com as lideranças para aproveitar as poucas semanas de votação antes das eleições e evitar que medidas de interesse do Executivo percam a validade.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio




