Governo lança Desenrola 3.0 com meta de reduzir R$ 150 bilhões em dívidas das famílias
Nova etapa do programa prevê compra de dívidas antigas com até 90% de desconto e mira consumidores endividados com cartão de crédito e empréstimos pessoais

O governo federal lançou nesta sexta-feira (25) o Desenrola 3.0, nova fase do programa de renegociação de dívidas que pretende reduzir em até R$ 150 bilhões o endividamento das famílias brasileiras. A iniciativa foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante evento em São Paulo.
Diferentemente das versões anteriores, o novo programa será baseado na compra de dívidas antigas pelo governo. A expectativa é adquirir carteiras de crédito das instituições financeiras com um deságio médio de 90%, o que significa que a União desembolsaria cerca de R$ 15 bilhões para quitar débitos originalmente estimados em R$ 150 bilhões.
Como vai funcionar
O programa será voltado para dívidas consideradas de difícil recuperação pelos bancos, especialmente:
- cartão de crédito rotativo;
- parcelamento de cartão de crédito;
- empréstimos pessoais sem consignação em folha;
- débitos com atraso entre dois e quatro anos e meio.
Segundo o Ministério da Fazenda, esse universo representa aproximadamente R$ 300 bilhões em dívidas. A meta do governo é alcançar cerca da metade desse estoque.
A operação será realizada por meio de um leilão previsto para novembro. Nesse processo, bancos e instituições financeiras oferecerão suas carteiras de crédito, que poderão ser adquiridas pelo Tesouro Nacional ou por uma instituição financeira federal.
Após a compra, essas dívidas serão reestruturadas, permitindo condições mais favoráveis para os consumidores.
Objetivo é reduzir o superendividamento
Segundo o governo, o objetivo do Desenrola 3.0 é reduzir o comprometimento da renda das famílias e combater o chamado superendividamento.
A medida ocorre em um cenário de elevado número de brasileiros inadimplentes. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), mostram que cerca de 82% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, enquanto quase 30% têm contas em atraso. Já 12,3% afirmam não ter condições financeiras de quitar os débitos.
Ao anunciar o programa, o ministro Dario Durigan afirmou que o foco será justamente nas dívidas mais antigas, consideradas praticamente irrecuperáveis pelas instituições financeiras.
Diferenças em relação ao primeiro Desenrola
O Desenrola Brasil, lançado em 2023 e encerrado em maio deste ano, permitiu a renegociação de R$ 28,37 bilhões em dívidas. O programa oferecia descontos que chegavam a 90%, juros limitados e parcelamentos de até 48 meses para pessoas com renda de até cinco salários mínimos.
Apesar do alcance da iniciativa, dados do Fundo Garantidor de Operações (FGO) indicam que cerca de três em cada dez contratos renegociados voltaram a apresentar inadimplência, fator que levou o governo a estudar um novo modelo.
A principal novidade do Desenrola 3.0 é justamente a compra dos créditos considerados de difícil recuperação, permitindo uma renegociação em condições diferentes das adotadas anteriormente.
O lançamento do programa também ocorre em meio às preocupações do governo e do Banco Central com o aumento do endividamento das famílias e da oferta de crédito de alto custo.
Nesta semana, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, alertou para a expansão de modalidades de crédito consideradas agressivas e defendeu medidas para ampliar a transparência das operações, permitindo que os consumidores compreendam melhor o custo total dos financiamentos antes de contratar novos empréstimos.
Segundo a equipe econômica, o Desenrola 3.0 faz parte de um conjunto de ações voltadas à reorganização das finanças das famílias e ao estímulo da atividade econômica por meio da redução do peso das dívidas no orçamento doméstico.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.


