Governo bloqueia R$ 22,1 bilhões do Orçamento e 'aperta' despesas dos ministérios
Contenção chega a R$ 23,7 bilhões em 2026 enquanto previsão de rombo fiscal sobe novamente

O governo federal anunciou nesta sexta-feira (22), um novo bloqueio bilionário no Orçamento de 2026. Os ministérios da Fazenda e do Planejamento confirmaram a contenção de R$ 22,1 bilhões em despesas, valor que se soma aos R$ 1,6 bilhão já congelados em março. Com isso, o total de recursos retidos neste ano chega a R$ 23,7 bilhões.
A medida foi tomada após uma nova revisão das contas públicas e ocorre em meio à pressão para manter o cumprimento das metas do arcabouço fiscal. O governo também revisou para cima a previsão de déficit primário deste ano, que passou de R$ 59,8 bilhões para R$ 60,3 bilhões. Mesmo com a possibilidade de abatimento de despesas ligadas ao pagamento de precatórios, o resultado projetado já se aproxima do limite permitido pela regra fiscal.
Bloqueio mira gastos livres dos ministérios
A contenção atingirá apenas as chamadas despesas discricionárias, que são os recursos usados para investimentos, custeio administrativo e manutenção da máquina pública. Gastos obrigatórios, como aposentadorias, salários de servidores, benefícios previdenciários e seguro desemprego, ficam fora do bloqueio. O governo ainda não informou quais ministérios sofrerão os maiores cortes. O detalhamento deve ser divulgado até o fim deste mês por meio do decreto de programação orçamentária e financeira.
A equipe econômica argumenta que o bloqueio é necessário para adequar as despesas aos limites estabelecidos pelo arcabouço fiscal, aprovado em 2023. Pela regra, o crescimento real dos gastos públicos não pode ultrapassar 2,5% ao ano e também fica condicionado ao avanço da arrecadação federal.
Pressão fiscal aumenta desafio político do governo
O novo congelamento mostra a dificuldade do governo em equilibrar as contas públicas sem comprometer áreas estratégicas da administração federal. Como as despesas obrigatórias continuam crescendo, sobra menos espaço para investimentos e execução de políticas públicas.
Isso significa que o aperto orçamentário reduz a capacidade do governo de liberar recursos para obras, programas e articulações políticas, especialmente em um cenário de pressão do Congresso e de preparação para o calendário eleitoral.
A revisão do déficit também aumenta a desconfiança do mercado financeiro sobre a capacidade do governo de estabilizar a dívida pública nos próximos anos. O temor é que o avanço das despesas pressione ainda mais os juros e limite o crescimento econômico.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.
