Galípolo defende autonomia do Banco Central com respeito ao 'poder democraticamente eleito'
Indicado pelo presidente Lula para assumir a presidência da instituição passa por sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado nesta terça (8)

Indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a presidência do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo defendeu que a autonomia da instituição não deve desconsiderar o "poder democraticamente eleito". Segundo ele, a instituição tem um objetivo claro de perseguir a meta de inflação que é instituída pelo governo. O atual diretor de Política Monetária da instituição passa por sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta terça-feira (8).
"Hoje nós temos uma meta estabelecida, através do decreto, de 3%, e cabe ao Banco Central perseguir essa meta de maneira inequívoca, colocando a taxa de juros num patamar restritivo necessário, pelo tempo que for necessário para se atingir esta meta. Essa é a função do Banco Central, é assim que funciona o arcabouço institucional e legal do Banco Central. E, de maneira nenhuma, a ideia de autonomia deve passar uma ideia de que o Banco Central vai se insular e virar as costas ao poder democraticamente eleito. Não se trata disso", declarou.
Galípolo foi indicado por Lula em agosto deste ano, confirmando o favoritismo para o cargo. Se for aprovado pela CAE e depois pelo plenário do Senado, ele comandará o Banco Central a partir de 2025, substituindo Roberto Campos Neto, nome indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e cujo mandato se encerra no dia 31 de dezembro deste ano.
A expectativa é de que a aprovação do nome seja feita de forma tranquila, com ampla aceitação entre os senadores e respaldo do mercado financeiro.
Expectativas sobre Galipolo
O futuro presidente do BC tem atraído a atenção do mercado financeiro devido a suas declarações que sinalizam um possível novo ciclo de aumento da taxa de juros. Desde maio, a Selic estava fixada em 10,5% ao ano, mas na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada em setembro, houve um ajuste, elevando a taxa para 10,75%.
Durante o período que antecedeu essa reunião, Galípolo enfatizou, em diversas ocasiões, que um aumento da Selic estava em discussão e que a medida seria adotada sem hesitação se necessário para manter a inflação dentro da meta estabelecida.
A votação no Senado é aguardada com expectativa, já que o desempenho de Galípolo à frente do BC será crucial para os rumos da política monetária brasileira, alvo de discordância entre a equipe econômica do Governo Federal e a instituição autônoma, até então comandada por Campos Neto.
Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.



