Funed corre para resolver problema estrutural e retomar produção de soros no ano que vem
Falha no sistema de ar comprimido foi detectada, mas fundação diz que questão pode ser resolvida sem prejuízos a cronograma

Embora mantenha a previsão de retomar a produção de soros no início do ano que vem, a Fundação Ezequiel Dias (Funed) tem de resolver um problema interno antes de interromper o hiato de quase sete anos na fabricação dos antídotos. Isso porque houve a detecção de um defeito no sistema de ar comprimido da entidade, ligada ao governo de Minas Gerais.
A falha chegou a ser debatida em uma reunião da cúpula da Funed no mês passado. O encontro terminou com pedidos de exonerações — aceitos — de duas profissionais que sugeriram adiar os prazos para a retomada de soros a fim de resolver o problema no ar comprimido. Parte do primeiro escalão da entidade, presidida pelo ex-deputado estadual Felipe Attiê, discordou da proposta.
O imbróglio consta em um memorando assinado por Attiê e obtido pela Itatiaia. O documento relata o conteúdo da reunião em questão, ocorrida no último dia 8.
"Tal informação de atraso no cronograma provocou uma reação de conflito, espanto e indignação na Diretoria de Planejamento, Gestão e Finanças - DPGF, especialmente, na chefia do setor da Engenharia, que discordou veementemente dos fatos apresentados para justificar tal alteração", lê-se em trecho do texto.
Procurada pela reportagem, a Funed afirmou que o presidente da entidade conversou com representantes da Trescal, multinacional que atua na calibração de equipamentos da área industrial da autarquia. A empresa, então, nomeou a terceirizada Mec Q para corrigir o problema.
"As datas pactuadas pela engenharia, em alinhamento com a chefia imediata, serão estritamente cumpridas. As ações referentes à qualificação de instalação, operação e desempenho do sistema de ar comprimido estão seguindo o cronograma estabelecido, garantindo os procedimentos necessários para a resolução do problema detectado", garantiu a entidade.
Segundo a Funed, as divergências ocorridas na reunião do mês passado foram "superadas".
Inspeção da Anvisa
A Funed quer retomar, por exemplo, a produção do soro anticrotálico, ministrado para conter os efeitos do envenenamento por cascavéis. Para que o retorno se concretize, é preciso que haja a emissão de um certificado de boas práticas de fabricação (BPF). O atestado é emitido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Vigilância Sanitária Estadual (Visa-MG) também emite esse certificado.
Procurada pela Itatiaia, a Anvisa afirmou que a inspeção necessária para a concessão do certificado de BPF será agendada tão logo haja sinalização da Funed quanto às adequações necessárias na cadeia de produção. Neste ano, a Anvisa chegou a vistoriar as instalações da fundação, mas a visita não foi voltada à linha de soros.
“O retorno das atividades da planta de soros dependerá da disponibilidade da Agência Regulatória para realização de inspeção certificadora, após os ajustes necessários. Neste sentido, a Funed tem trabalhado e se esforçado para que a planta de produção de soros esteja pronta em fevereiro de 2024, com todas as exigências solicitadas pela Anvisa, para assim solicitar nova inspeção”, apontou a Funed, reforçando a necessidade de uma inspeção prévia da Anvisa.
Impasse 'internacional'
Os substitutos para as duas servidoras que pediram para deixar os cargos que ocupavam já foram definidos. O problema em torno do ar comprimido não é o primeiro obstáculo enfrentado pela Funed na busca pela retomada da produção de soros.
O secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, chegou a estimar a retomada da produção de soros entre outubro e novembro deste ano. Apesar disso, como já mostrou a Itatiaia, acabou adiado em virtude de um impasse com o governo dos Estados Unidos da América (EUA).
Isso porque o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês) atrasou a entrega da permissão que serviria para liberar a entrada, em solo estadunidense, de bolsas de soro que seriam validadas pela Sartorius, laboratório que fornece, à Funed, itens essenciais ao processo produtivo dos antídotos
"Esta Presidência reitera o apoio total e restrito a Diretoria Industrial da FUNED e seu complexo industrial de soros, o qual, por determinação do Governador do Estado, deve ser reaberto após sete anos de paralisação total, voltando a produção no primeiro semestre de 2024, após a aprovação de inspeção e emissão do Certificado de Boas Práticas de Fabricação expedidos pela Anvisa", garante Attiê, no ofício de 8 de novembro.
Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.



