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'Fui preso pela maior mentira contada nesse país', afirma Lula em cerimônia com irmãos Batista da JBS

Presidente participou de cerimônia em frigorífico da JBS, em Campo Grande, nesta sexta-feira (12)

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Presidente Lula participou de cerimônia no frigorífico da JBS em Campo Grande nesta sexta-feira (12) • Ricardo Stuckert | PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) relembrou o período de 580 dias em que esteve preso na superintendência da Polícia Federal em Curitiba durante cerimônia em um frigorífico da JBS, em Campo Grande, nesta sexta-feira (12). A solenidade com a presença dos irmãos Wesley e Joesley Batista festejou a habilitação de 38 novos frigoríficos brasileiros para exportação de carnes para o mercado chinês.

"Os nossos amigos chineses vieram vistoriar esse frigorífico em 2018. Eu estava preso na Polícia Federal, preso por conta da maior mentira já contada nesse país e que a história se encarregará de provas", disse o petista. "Os chineses vieram e não abriram as exportações que tanta gente queria. Mas, ano passado, fui à China, fomos recebidos com muita competência e carinho pelo governo chinês. Fizemos reuniões, almoçamos e jantamos", acrescentou.

Lula elogiou fundador da JBS e herdeiros Batista

No início do discurso feito nesta sexta-feira, Lula citou que conheceu José Batista Sobrinho, o fundador da JBS, ainda no início de sua primeira passagem pela presidência da República. "Fico sempre orgulhoso quando alguém consegue vencer na vida. Depois, ele criou uma família predestinada a ter sucesso. Quero cumprimentar Joesley e Wesley, que são os herdeiros dela e trabalharam para transformar [a JBS] na maior empresa de proteína animal do mundo. É um motivo de orgulho saber que, se a gente quiser, a gente faz tudo o que a gente sonhou", disse.

Escândalo da JBS

Os irmãos Batista são pivô de um dos maiores escândalos de corrupção do Brasil neste século. Proprietários da JBS, à época uma das maiores empresas de processamento de carne do mundo, Wesley e Joesley estavam entre os alvos da operação Lava-Jato e acusaram políticos brasileiros de corrupção durante delações premiadas firmadas com o Ministério Público Federal (MPF).

Joesley chegou a gravar uma conversa telefônica com o então presidente Michel Temer (MDB). Na gravação feita em maio de 2017, Joesley discutia com Temer um pagamento de propina pelo silêncio de Eduardo Cunha, à época preso e investigado por corrupção. Temer teria dado aval ao pagamento da propina. O emedebista sempre negou as acusações.

Mudanças na JBS. Os irmãos Wesley e Joesley Batista retornaram à JBS sete anos depois de afastados do grupo pelos escândalos de corrupção. Os dois foram nomeados para o Conselho de Administração no mês passado.

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Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.