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Flávio ironiza guinada do PT sobre maioridade penal; oposição fala em “desespero” e “oportunismo” do governo

Candidato à Presidência da República pelo PL afirma que petistas copiaram bandeira da direita; parlamentares do partido falam em "desespero" e "oportunismo" após PEC da Segurança ser retirada de pauta no Senado

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Flávio Bolsonaro, candidato à presidência da República
Flávio Bolsonaro, candidato à presidência da República • Anderson Romao/AGIF via AFP

O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, ironizou nesta quinta-feira (15) a mudança de posição do PT sobre a redução da maioridade penal. Em live, o senador disse que a bancada do partido do presidente Lula "estava ensaiando" apresentar uma emenda favorável à medida e completou: "Tinha que ter eleição toda semana, um dia a pessoa se converte, vai pra igreja, é uma maravilha."

A fala de Flávio resume a leitura que a oposição faz da movimentação do governo no Senado. Para o PL, o PT abraçou uma pauta historicamente defendida pela direita por cálculo eleitoral, a duas semanas do segundo turno, depois de a legenda ter sido a primeira a levar o tema à PEC da Segurança Pública.

Na quarta-feira (14), o coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), apresentou emenda para incluir a redução da maioridade na proposta. O texto sugeria baixar a idade de 18 para 16 anos, chegando a 14 anos em determinados crimes, como os hediondos. Na quinta, o senador Camilo Santana (PT-CE), que também atua como coordenador da campanha de Lula, apresentou emenda semelhante, porém menos dura, que prevê a redução de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos.

A esquerda havia passado o dia em reuniões internas para decidir como se posicionar. À noite, o presidente Lula foi sabatinado no Jornal Nacional e também defendeu a redução da maioridade penal. O avanço dos dois lados sobre o tema acabou travando a PEC. No início da noite de quinta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), retirou de pauta toda a proposta de segurança pública, uma das prioridades do governo, que estava prevista para votação.

Aliados de Flávio avaliam que o episódio expõe uma contradição do PT. O deputado Rodrigo Valadares (PL-SE) afirmou em entrevista a Itatiaia que o governo "vai para o tudo ou nada para tentar vencer a eleição, até mesmo se apropriando de pautas historicamente defendidas pela direita, como a redução da maioridade penal".

O deputado Sanderson (PL-RS), senador eleito, usou tom semelhante. "Desespero total! Lula e seus aliados partiram para o tudo ou nada. Agora, tentam até se apropriar de bandeiras históricas da direita, como a redução da maioridade penal", afirmou.

A pauta vinha sendo usada pela direita para pressionar o governo a votar a PEC da Segurança Pública com a proposta de redução da maioridade penal. A emenda de Camilo Santana foi interpretada em Brasília como uma contra-ofensiva do governo, que tenta neutralizar o discurso da oposição.

 

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Jornalista pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e pós-graduanda em política e relações internacionais na FAAP, atua na cobertura de Congresso Nacional e Judiciário na Itatiaia em Brasília. Ilustradora, também faz reportagens especiais de jornalismo em quadrinhos. Com passagens por CNN Brasil, SBT News, SBT Brasil e Correio Braziliense.

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