Belo Horizonte
Itatiaia

Flávio diz que vazamento de áudio com Vorcaro foi 'tentativa de contaminação política'

O senador, em novo comunicado à imprensa, afirmou que conheceu o dono do Banco Master em 2024, 'quando os fatos hoje atribuídos a Vorcaro ainda não eram de conhecimento público'

Por
Beto Barata / PL.

Em nova declaração enviada para a imprensa, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou que é preciso "restabelecer os fatos e separar a investigação séria de tentativa de contaminação política".

Nesta quinta-feira (14), Flávio voltou a justificar seu relacionamento com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ele disse, no comunicado divulgado, que ao conversar com o banqueiro, não houve "doação, favor, empréstimo pessoal, camaradagem ou vantagem política".

Informações divulgadas na quarta-feira (13) pelo portal The Intercept Brasil revelaram uma troca de mensagens entre o senador e Vorcaro. Na conversa, Flávio negocia o repasse de US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões, para o financiamento do filme Dark Horse, que conta a história do ex‑presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em defesa, o parlamentar disse que a sua participação no projeto cinematográfico se limitou à "busca de investimento privado para uma obra cultural privada".

Ele também negou que os recursos empenhados pelo banqueiro tenham sido destinados ao irmão, o ex‑deputado Eduardo Bolsonaro (PL‑SP), que está nos Estados Unidos. "A linha do tempo é decisiva. O contato [com Vorcaro] ocorreu em 2024 quando os fatos hoje atribuídos a Vorcaro não eram conhecidos publicamente. "À época, ele circulava normalmente no mercado, patrocinava eventos, programas de TV e iniciativas empresariais", escreveu.

Ele afirma que quando os aportes deixaram de ser cumpridos e as acusações "vieram a público", a relação foi encerrada.

Uma das conversas, reveladas pelo The Intercept, mostraram que no dia 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez, Flávio escreveu ao banqueiro com uma nova cobrança.

O senador enviou para o empresário duas mensagens de visualização única, que se apagam logo após a leitura. Depois, em texto normal, ele chama Vorcaro de "irmão" e diz: "estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!".

O dono do Master responde à mensagem também com visualização única e, no dia seguinte, é preso pela Polícia Federal no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Veja nota na íntegra:

É preciso restabelecer os fatos e separar investigação séria de tentativa de contaminação política.

Minha participação no projeto do filme sobre o presidente Jair Bolsonaro limitou-se à busca de investimento privado para uma obra cultural privada, produzida nos Estados Unidos, sem recurso público, sem Lei Rouanet, sem Embratur, sem prefeitura e sem qualquer contrapartida ligada ao meu mandato.

Me relacionei com Daniel Vorcaro estritamente no papel de um filho que buscava patrocínio de um empresário para o filme em homenagem ao pai. Não houve doação, favor, empréstimo pessoal, camaradagem ou vantagem política. Ele fez um investimento que previa retorno financeiro conforme o desempenho comercial da obra. Também é falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro: os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.

A linha do tempo é decisiva. O contato ocorreu em 2024 quando os fatos hoje atribuídos a Vorcaro não eram conhecidos publicamente. À época, ele circulava normalmente no mercado, patrocinava eventos, programas de TV e iniciativas empresariais, inclusive evento empresarial em Nova York, promovido por um grande grupo de comunicação braseiro, em maio de 2024, no qual foi apresentado ao mercado americano.

É nesse contexto que buscamos o investimento no filme.

Quando os aportes deixaram de ser cumpridos e as acusações vieram a público, a relação foi encerrada e outros investidores foram buscados.

Não vou aceitar que nos misturem com os bandidos do PT. As relações são completamente distintas. Não houve reunião fora de agenda com presidente da República, pagamento a ex-ministro por acesso ao governo, contrato milionário com o ministro da justiça, que é o chefe da PF, nem houve qualquer promessa de favorecimento ao banqueiro.

Tentar colocar todos na mesma vala é uma distorção política inaceitável.

Por isso, defendo que todos os fatos sejam investigados com rigor e transparência. Por isso, exigimos a CPI do Master já.

Por

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.