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Ex-ministros da Justiça dizem que depoimentos de generais reforçam preparação de golpe

José Eduardo Cardozo e Miguel Reale Júnior comentaram oitivas que tiveram o conteúdo liberado nesta sexta-feira (15)

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O ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier e o ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto; três militares que podem perder as patentes • Clauber Cleber Caetano/PR

Os ex-ministros da Justiça José Eduardo Cardozo e Miguel Reale Júnior acreditam que os depoimentos dados à Polícia Federal (PF) por pessoas próximas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) reforçam a ideia de que houve a preparação de um golpe de Estado no país. Na lista de oitivas com o sigilo quebrado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está o do ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), Carlos de Almeida Baptista Júnior.

Baptista Júnior disse, em oitiva liberada nesta sexta-feira (15) que, se o comando do Exército tivesse apoiado a chamada “minuta do golpe”, Bolsonaro poderia tentar uma ruptura institucional.

“Passa do ato preparatório para o ato em si no momento que se cria uma situação de perigo ao bem jurídico. O conjunto da obra aponta para Bolsonaro”, apontou.

A disponibilização dos depoimentos trouxe à tona, ainda, outra declaração de Carlos de Almeida Baptista Júnior. Segundo o ex-chefe da Aeronáutica, o almirante Almir Garnier Santos, ex-comandante da Marinha, colocou suas tropas à disposição de Bolsonaro no planejamento de um eventual golpe. Garnier, que também foi chamado a prestar informações, fez jus ao direito constitucional do silêncio.

Ameaça de prisão

Baptista Júnior afirmou também que, Marco Antônio Freire Gomes, outro ex-comandante do Exército, ameaçou dar voz de prisão a Bolsonaro quando ele mencionou a possibilidade de dar um concretizar um golpe de Estado. Baptista Júnior teria presenciado a cena — que, segundo ele, aconteceu no Palácio da Alvorada.

Houve, ainda, o depoimento do presidente do PL, Valdemar Costa Neto. O dirigente afirmou que a legenda moveu ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) questionando o resultado eleitoral de 2022 porque Bolsonaro e deputados liberais “pressionaram” para tal.

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