Simões promete continuar pagando a dívida com a União e quer investimento federal em Minas
Candidato a reeleição detalha o que está travando o Propag e o que pretende fazer com as contas públicas caso vença a eleição

O governador Mateus Simões (PSD) espera que Minas pare de pagar juros à União a partir do próximo mandato, cobrando o Governo Federal para que haja reversão do valor da dívida em investimento para rodovias e ferrovias do estado. A afirmação foi feita durante entrevista para a CNN Brasil na noite desta quinta-feira (20).
Perguntado sobre a continuidade do Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag) e do controle da dívida pública, Simões argumentou que o cenário que Romeu Zema (Novo) assumiu o governo em 2019 era um desastre, mas não quis culpar apenas um fator específico. Seguiu sua resposta argumentando que já há cinco anos, Minas opera sem déficit fiscal e ainda provocou o governo de Lula (PT): “O que ajudou é trabalho, é responsabilidade, é saber que não pode ter déficit, o que o Governo Federal parece não entender nunca”.
Questionado também sobre uma pausa no pagamento da dívida, Simões negou e disse que já pagou R$13 bilhões: “Eu acho engraçado quando falam que Minas não tá pagando a dívida. Estou pagando quase que R$ 500 milhões por mês”.
Falando de propostas, o atual governador afirmou que, caso eleito, assim que o próximo presidente assumir, irá a Brasília para negociar uma reversão do valor pago por Minas em investimento do Governo Federal para o povo mineiro. Simões defende que esse diálogo é importante para que obras e reformas importantes na infraestrutura de Minas não fiquem anos paradas por conta da dívida. “Eu vou à Brasília para discutir a reversão do que a gente paga todo mês para investimentos de infraestrutura federal no estado”.
No momento em que explicava essa proposta de reversão, Mateus também fez críticas ao governo Lula (PT) pela demora na escolha dos ativos a serem federalizados, o que trava a discussão. Simões disse que já apresentou uma lista há oito meses para que o governo federal abata R$40 bilhões da dívida e o estado possa aderir ao Propag, mas até o momento, a resposta não foi enviada e os juros continuam sendo pagos: “A lerdeza do governo Lula com isso está custando R$60 milhões por mês para Minas Gerais em juros”.
Quem é Mateus Simões?
Mateus Simões é advogado, formado na Faculdade Milton Campos, e professor na mesma instituição. Iniciou sua carreira política filiado ao partido Novo, quando concorreu e venceu sua primeira eleição para vereador de Belo Horizonte em 2016. Atuou no cargo até 2020, quando aceitou ser secretário-geral do Governo de Minas, durante o primeiro mandato de Romeu Zema como governador. Na corrida eleitoral de 2022, concorreu como vice-governador na chapa com Zema e atuou como tal até o início deste ano, quando Zema renunciou ao cargo para concorrer à Presidência da República.
Como governador, Simões tenta dar continuidade à gestão passada, com foco na defesa de privatizações que possam contribuir na austeridade das contas públicas do estado. A adesão de Minas ao Plano de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) foi instituída por Mateus e vem sendo usada em debates e entrevistas como um dos pontos positivos para a continuidade da sua administração.
Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Atuou em assessoria de imprensa no Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT-MG) e no setor de apuração da TV Alterosa. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.



