Evento de Nísia e Lula é marcado por silêncio do presidente e clima de despedida
Horas antes de deixar o cargo, ministra da Saúde fez discurso emocionado, pediu minuto de silêncio para o Papa Francisco e foi aplaudida por colegas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a ministra da Saúde, Nísia Trindade, protagonizaram um evento nesta terça-feira (25) que ficou marcado pela tensão entre os envolvidos. Nísia estava na corda bamba e horas depois seria confirmada sua demissão. Contudo, a decisão do presidente ainda não havia oficialmente anunciada.
A cerimônia ocorreu no Palácio do Planalto e começou com mais de uma hora de atraso - a previsão era de que o evento tivesse início às 11h, o que não aconteceu. Diante de uma plateia formada, majoritariamente, por colegas do Ministério da Saúde, Nísia estava nervosa.
Durante o discurso de Nísia, a impaciência do presidente chamou a atenção. Sempre atento às falas dos oradores em eventos como esse, Lula passou parte da apresentação conferindo documentos que foram levados por seu assessor, além de visivelmente se incomodar com o passar da hora.
Ao fim do evento, encerrado com uma fala do vice-presidente Geraldo Alckimin, Nísia foi ovacionada pela plateia, mostrando que, ao menos dentro do Ministério da Saúde, reunia prestígio.
Lula tentou deixar a cerimônia da mesma forma que entrou: sem dizer nenhuma palavra. No entanto, foi questionado pela imprensa se promoveria alguma mudança no ministério. O presidente e a primeira-dama - que acompanhava a cerimônia nos bastidores - se irritaram e deram as costas.
Também estiveram presentes no evento as ministras Esther Dweck (Gestão e Inovação), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Márcio Macedo (Secretaria-geral) - curiosamente, quem também esteve na cerimônia foi a presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Gleisi Hoffmann, que também é cotada na reforma ministerial e deve ganhar o cargo de Macedo na Secretaria-geral.
Para o cargo de Nísia Trindade, o nome anunciado foi o do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), que já atuou como ministro da Saúde entre 2011 e 2014, na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff. Ele não esteve presente no evento.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



