'Estou mais preocupada com outras comissões', diz Duda sobre Erika Hilton
A parlamentar justificou que "não tem nada contra" o colegiado de Defesa dos Direitos da Mulher, presidida por Erika Hilton, mas que há "espaços mais estratégicos" para serem ocupados na Câmara Federal

A eleição da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara ainda ecoa nos corredores de Brasília. Em conversa com a Itatiaia, a também deputada Duda Salabert (PDT-MG) disse que há outros “espaços mais estratégicos” para disputa no Congresso.
Ela dá como exemplo a Comissão de Trabalho da Câmara, colegiado em que já foi vice-presidente. “Particularmente, estou mais preocupada com as comissões de Trabalho e de Educação do que com a Comissão de Mulheres”, disse à reportagem.
Nesta legislatura, Erika e Duda foram as únicas parlamentares transexuais eleitas para o Congresso.
No último dia 11 de março, Hilton se elegeu presidente da Comissão de Direitos da Mulher, sendo a primeira pessoa trans a assumir o colegiado.
A vitória da deputada do PSOL provocou reclamações por parte da oposição no Congresso e também repercutiu na televisão, após o apresentador Ratinho, do SBT, dizer em rede nacional que a deputada seria indigna de ocupar o posto por não ser uma mulher cisgênero.
Quando questionada pela Itatiaia sobre os episódios, Duda se limitou a dizer que respeita a decisão do PSOL e de Erika Hilton de assumirem o colegiado, mas que “não faz parte do partido”. “Foi decisão da legenda que Erika Hilton presidisse a Comissão de Mulheres. Eu tenho uma estratégia, uma tática diferente. A comissão pela qual sempre me interessei e da qual fui vice-presidente é a de Trabalho. Acho que nela vamos discutir, sobretudo, a pauta de travestis e transexuais no Brasil. A maior parte da população de travestis do país está na prostituição. Isso é assustador e deplorável, independentemente do ponto de vista ideológico. É algo horrível”, explicou.
A deputada finaliza afirmando que não tem “nada contra” o colegiado, mas que, em sua “construção política”, há outros espaços a serem disputados no Legislativo.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.




