Oposição rebate Erika Hilton e tenta anular eleição na Comissão da Mulheres
Deputadas anunciam recurso contra eleição e acionam Conselho de Ética após troca de acusações no colegiado

Deputadas da oposição realizaram uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (18), na Câmara dos Deputados, em resposta ao embate ocorrido horas antes na Comissão de Mulheres, presidida pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). As parlamentares anunciaram medidas formais contra a condução da sessão e as declarações feitas pela presidente do colegiado.
A coletiva foi liderada por Júlia Zannata (PL) e Chris Tonietto (PL-RJ), que rebateram as falas de Hilton e classificaram o episódio como desrespeitoso. Durante a reunião da comissão, marcada por interrupções e troca de acusações, a presidente chamou opositoras de “esgoto da sociedade” e de "imbecis": “Não somos imbecis, somos mulheres. Não somos o esgoto da sociedade. Nós falamos pelas mulheres, pelas mães, pelas mulheres comuns”, afirmou Zannata, ao criticar o que chamou de tentativa de silenciamento dentro do colegiado.
As deputadas também anunciaram a apresentação de um recurso à Mesa Diretora da Câmara questionando a eleição de Erika Hilton para a presidência da comissão. Segundo Tonietto, o processo teria desrespeitado o regimento interno: “Na votação, houve 12 votos em branco, que representam rejeição à chapa. A maioria da comissão deixou claro que não aceita essa presidência”, disse. Ela argumenta que o resultado do primeiro escrutínio deveria ter prevalecido, já que os votos em branco superaram os favoráveis.
A eleição de Hilton ocorreu após um segundo ato com chapa única, indicado com base na proporcionalidade partidária, o que é contestado pela oposição. As parlamentares afirmam que houve violação de dispositivos regimentais que tratam da maioria absoluta.
Além do recurso, foi protocolada uma representação no Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar, com base nas falas dirigidas às deputadas durante a sessão.
Na coletiva, as opositoras também negaram que suas posições tenham motivação transfóbica e afirmaram que representam “valores majoritários das mulheres brasileiras”, destacando divergências ideológicas em pautas ligadas à identidade de gênero e direitos das mulheres.
Tudo aconteceu na primeira reunião da comissão sob o comando de Erika Hilton, eleita no último dia 11 de março em uma disputa apertada. Após a repercussão, Hilton se manifestou nas redes sociais, onde reafirmou suas críticas às parlamentares opositoras.
Até o momento, nem o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), nem o Conselho de Ética se pronunciaram sobre os pedidos apresentados.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.
