Entenda por que a apuração da eleição presidencial no Peru leva semanas?
Disputa voto a voto entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, dificuldades logísticas e regras eleitorais complexas ajudam a explicar a demora na definição do resultado

A apuração do segundo turno da eleição presidencial do Peru segue em ritmo lento e ainda não tem previsão de conclusão. Apesar de a votação ter sido realizada no último domingo (7), as autoridades eleitorais peruanas indicam que o resultado oficial pode demorar semanas para ser confirmado.
A demora é ainda mais evidente devido ao cenário de equilíbrio entre os candidatos Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, que disputam voto a voto a Presidência do país.
Veja os principais fatores que explicam a lentidão da contagem.
Disputa extremamente apertada
O primeiro motivo é o próprio equilíbrio da eleição. Com uma diferença de apenas milhares — e, em alguns momentos, centenas — de votos entre os candidatos, cada nova urna contabilizada pode alterar a liderança da disputa.
Em cenários tão apertados, as autoridades precisam avançar bastante na apuração antes de indicar com segurança quem será o vencedor.
Voto impresso e regiões de difícil acesso
Diferentemente de países como o Brasil, o Peru utiliza cédulas de papel.
Isso significa que os votos precisam ser transportados fisicamente até centros de apuração. Em áreas remotas da Amazônia e da Cordilheira dos Andes, esse processo pode envolver viagens de barco, caminhonetes e até animais de carga para superar a falta de estradas.
Além disso, a contagem é feita manualmente, e os resultados precisam ser registrados e enviados às autoridades eleitorais.
Especialistas apontam que dificuldades de infraestrutura, internet limitada e escassez de pessoal também contribuem para a lentidão do processo.
Diferenças regionais influenciam a apuração
Outro fator importante é que as áreas urbanas e rurais costumam votar de forma diferente.
Historicamente, Keiko Fujimori tem maior apoio nos grandes centros urbanos, enquanto Roberto Sánchez apresenta melhor desempenho em regiões rurais, especialmente no sul do país.
Como os votos de áreas mais isoladas costumam chegar depois, mudanças na liderança ao longo da contagem são consideradas normais.
Votos de peruanos no exterior
A apuração também depende dos votos de mais de 1,2 milhão de peruanos aptos a votar fora do país.
As cédulas precisam ser transportadas até Lima para serem contabilizadas, o que prolonga o processo. Como existem comunidades peruanas espalhadas por diversos continentes, incluindo países asiáticos, a logística é ainda mais complexa.
Sistema eleitoral exige várias etapas
Depois da contagem inicial realizada pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), parte das atas pode ser encaminhada ao Júri Eleitoral Especial (JEE), responsável por analisar recursos e eventuais questionamentos.
Em seguida, os resultados ainda precisam ser validados pelo Júri Nacional de Eleições, órgão responsável por proclamar oficialmente o vencedor.
Esse modelo cria etapas adicionais de conferência e fiscalização antes da divulgação do resultado final.
Erros formais podem atrasar ainda mais
No Peru, regras rigorosas foram criadas para evitar fraudes eleitorais.
Qualquer inconsistência em uma ata — como rasuras, assinaturas fora do local indicado ou divergências numéricas — pode retirar aquele documento da contagem regular e encaminhá-lo para análise judicial.
Enquanto o caso não é resolvido, os votos ficam fora do total oficial, o que pode atrasar ainda mais a definição do resultado em uma disputa apertada.
Polarização aumenta a pressão sobre o processo
Especialistas também destacam que o cenário político peruano é marcado por forte polarização e desconfiança institucional. O país terá seu nono presidente em apenas dez anos.
Nesse contexto, partidos e candidatos costumam acompanhar a apuração de forma mais rigorosa e podem apresentar recursos e questionamentos judiciais, o que também contribui para prolongar o processo eleitoral.
Por isso, mesmo com mais de 98% das urnas apuradas, a confirmação oficial do próximo presidente do Peru ainda pode levar dias ou até semanas.
*Com CNN
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