Em carta, Bolsonaro pede fim de ataques a Michelle e pede ‘união da direita’

Em carta escrita à mão, o ex-presidente saiu em defesa da esposa após críticas do filho Eduardo direcionadas a ela e ao deputado Nikolas Ferreira

No dia em que a direita organiza mais protestos contra o presidente Lula (PT) e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) escreveu uma carta pedindo o fim dos ataques direcionados à sua esposa, Michelle Bolsonaro (PL), e também pregando a “união” de seu grupo político.

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Bolsonaro não cita nominalmente nenhum de seus filhos, mas, recentemente, o clã Bolsonaro se viu diante de uma crise interna provocada por reclamações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) direcionadas à madrasta e ao aliado, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Eduardo teria se irritado com a “dobradinha” da ex-primeira-dama com o parlamentar mineiro. O filho de Bolsonaro afirmou que Michelle e Nikolas estariam com “amnésia” e “jogando o mesmo jogo” em relação ao irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência.

Em resposta, Nikolas, em visita ao ex-presidente no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, disse que Eduardo “não está bem” e que, mesmo diante das “situações que estão acontecendo”, a prioridade do ex-deputado seria atacá-lo e à ex-primeira-dama.

Na carta, escrita à mão por Bolsonaro, o ex-presidente se dirigiu a todos que “comungam” dos mesmos valores, afirmando lamentar “as críticas da própria direita dirigidas a alguns colegas e à minha esposa”.

Bolsonaro ainda escreveu que pediu para que a esposa se envolvesse com a política apenas em março deste ano. “Numa campanha majoritária, bem como nas cobiçadas vagas para o Senado, os apoios devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados”, disse.

Além de Eduardo, o comunicador Allan dos Santos, próximo ao clã Bolsonaro e foragido do Brasil, também protagonizou uma troca de farpas com a ex-primeira-dama, alegando que ela estaria atuando em prol de uma eventual candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e não dando apoio ao próprio enteado, Flávio.

Leia a carta escrita por Bolsonaro:

Dirijo-me a todos que comungam conosco dos mesmos valores — Deus, pátria, família e liberdade — para dizer que lamento as críticas da própria direita dirigidas a alguns colegas e à minha esposa.

A Michelle, pedi para só se envolver na política após março/26, já que a mesma se encontra por demais ocupada no atendimento da nossa filha Laura, recém-operada, bem como nos cuidados à minha pessoa.

Numa campanha majoritária, bem como nas cobiçadas vagas para o Senado, os apoios devem vir pelo diálogo e convencimento, nunca por pressões ou ataques entre aliados.

Meu muito obrigado a todos pelo carinho e consideração.

Da nossa união, o futuro do Brasil.

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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