Em BH, AGU cita 'forças antidemocráticas' em meio a protesto contra homenagem a Moraes
O advogado-geral da União, Jorge Messias, foi um dos agraciados pela maior honraria do TCE-MG, ao lado de Moraes, que não compareceu ao evento na capital mineira

O advogado-geral da União, Jorge Messias, ao receber a mais alta honraria do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), em Belo Horizonte, nesta terça-feira (9), afirmou que “esta não é a primeira vez” que o Brasil enfrenta e vence forças “antidemocráticas”. Durante o discurso, do lado de fora do TCE, manifestantes protestavam com um “buzinaço” contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Em seu discurso, Messias afirmou que, atualmente, no país, as tais “forças antidemocráticas” utilizam a desinformação para descredibilizar as instituições, o sistema eleitoral e até o próprio país. “Quero dizer, senhoras e senhores, que é dever de todo brasileiro defender o que é nosso, defender a soberania nacional. O recrudescimento do autoritarismo exige de nós uma atuação forte e consistente”, declarou.
Diante das taxações impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de 50% sobre produtos brasileiros, e dos ataques a Moraes, em razão da suposta “caça às bruxas” do Judiciário contra Bolsonaro, o governo Lula (PT) tem adotado um discurso e um posicionamento em defesa da soberania brasileira frente ao tarifaço.
“Só na democracia essa manifestação pode ser feita”
O anfitrião do evento, presidente do TCE-MG, Durval Ângelo, relembrou que o Tribunal foi fechado durante os regimes autoritários brasileiros.
Em discurso aos homenageados, afirmou que prefere ouvir as buzinas e manifestações do lado de fora, como ocorreu durante a homenagem a Moraes, do que o silêncio de uma ditadura. "Esse ato aí fora faz parte do sentido do que acontece aqui dentro, com toda certeza. Apesar de, muitas vezes, no caso dessa manifestação, [eles] preferirem o silêncio da voz calada pela força das baionetas de uma ditadura, ainda assim, só em uma democracia uma manifestação dessas pode ser feita", declarou o conselheiro, que foi aplaudido.
Durval Ângelo também defendeu a atuação do Supremo, ao qual chamou de guardião da “Constituição e da defesa das liberdades fundamentais” que orientam o Tribunal de Contas. "Somos herdeiros de uma história, responsáveis pelo presente e atores do futuro", finalizou.
Além de Moraes, o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), também foi um dos agraciados com a honraria. Durante seu discurso, ele também mencionou o “buzinaço” que ocorria na parte externa do TCE. "Todos aqueles que estão nas ruas a se manifestar, de alguma forma, fazem parte da população que temos de administrar. O Brasil precisa de um movimento de pacificação, e essa pacificação virá pela construção política — e não jurídica, nem judicial", afirmou
Moção de repúdio
Mesmo sem estar em Belo Horizonte, na segunda-feira (8), Moraes também foi tema de discussão na Câmara Municipal (CMBH), onde os vereadores aprovaram o envio de uma moção de repúdio ao ministro do Supremo.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.



