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Em 2025, Romeu Zema já teve cinco embates com o governo Lula; entenda

Nos primeiros 26 dias do ano, rusgas com o governo de Minas Gerias já mobilizaram três ministros e até mesmo o próprio presidente Lula

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Zema e Lula conversam durante evento em Belo Horizonte
Governador utilizou as redes sociais para tecer críticas a Lula • Gil Leonardi/Imprensa MG

Desde o início do governo Lula (PT), em 2023, a relação da gestão do petista com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), foi marcada por uma série de momentos de tensão e divergências.

Só nos primeiros 26 dias de 2025, foram seis atritos públicos diretos do executivo mineiro com ministros de Lula e até mesmo com o próprio presidente.

Ausência em ato de 8 de janeiro

Lula organizou um ato simbólico em Brasília "em memória" dos dois anos dos ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. O Palácio do Planalto convidou os presidentes dos Três Poderes e todos os governadores para a cerimônia. Zema, no entanto, recusou o convite.

Discordância no Propag

No dia 14 de janeiro, o presidente Lula sancionou com vetos o Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados junto à União (Propag), o que foi alvo de crítica de alguns governadores, incluindo Romeu Zema.

O mineiro avaliou que o Propag ficou "pior" que o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e chegou a declarar, em coletiva de imprensa, que Minas Gerais não iria aderir ao programa se os vetos de Lula não fossem derrubados pelo Congresso.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), usou as redes sociais para rebater as críticas do governador.

No X, antigo Twitter, Haddad afirmou que Zema "esconde a verdade", alegando que os dois se encontraram e que o mineiro teria pedido que a União quitasse a dívida dos estados com bancos privados.

O petista também escreveu que Zema "critica privilégios", mesmo tendo aumentado o próprio salário em 298%.

Zema respondeu dizendo que o Propag foi "mutilado" por Lula e também afirmou que o veto "impõe custos" aos mineiros, enquanto "o governo federal mantém 39 ministros, esbanja com viagens luxuosas e impõe sigilo de 100 anos no cartão do presidente".

Em tréplica, Haddad disse que a dívida de Minas Gerais cresceu não devido aos juros abusivos, mas sim aos "calotes" dados pelo estado à União.

"Os desafios fiscais são muitos para todos, sem dúvida, mas somos da ala que acredita que calote não se confunde com ajuste fiscal! Até há os que pensam diferente como bem vimos num passado recente, mas nós acreditamos na importância do estado brasileiro dar exemplo e pagar em dia suas obrigações".

— escreveu o ministro.

Zema vira alvo de outro ministro

“É como se um amigo chegasse pra você e dissesse: Rapaz, eu 'to' lhe devendo dinheiro, dá para você dar um desconto na dívida, 'pra' eu poder lhe pagar e parcelar em muitas vezes? Aí você diz: Ah, você é meu amigo, eu vou quebrar seu galho, vou parcelar essa dívida, eu vou dar o desconto. Aí você parcela, dá o desconto, ele diz: Rapaz, mas você não é meu amigo não. Se você fosse meu amigo mesmo, você pagava a dívida que eu tenho com mais cinco pessoas”.

— detalhou Rui Costa.

Lula diz que merecia 'prêmio' de Zema

Durante a cerimônia de assinatura da concessão da BR-381, em Brasília -- que Zema também não compareceu -- o presidente Lula disse, em discurso, que o mineiro deveria lhe dar um "troféu" por resolver a dívida dos estados.

"[Zema] deveria vir aqui me dar um prêmio. Me trazer um troféu do primeiro presidente da República que ele tem conhecimento que nunca vetou absolutamente nada de nenhum governador ou prefeito por ser de oposição", afirmou.

Ele ainda completou dizendo que "talvez só Jesus Cristo" faria isso, se fosse presidente do Brasil.

Zema foi alvo de outro ministro

No mesmo evento, o governador também foi criticado pelo ministro do Transporte, Renan Filho (MDB).

Durante discurso, Renan lamentou a ausência de Zema na assinatura da concessão da rodovia que corta Minas Gerais. Ele afirmou que nenhum outro governo deu "tanta atenção" ao estado quando o atual. "Vi o governador cobrando investimento, no governo passado e agora, mas não o vejo aqui neste momento. Parece que a cobrança é mais política e menos pela obra. Isso apequena o gestor público", disse.

Em réplica, o governador rebateu a fala de Renan que o foco dele é "trabalhar" e não "perder tempo com eventos burocráticos".

Sobre a fala do presidente Lula, Zema declarou que Jesus, se fosse chefe do Executivo, iria perdoar "todas as dívidas e jamais cobraria juros abusivos".

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.

 

 

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