Cury sugere Caiado como ‘xerife do Brasil’ para Segurança Pública em eventual governo
Presidenciável do Avante também defende cortar ministérios, taxar bets em até 52% e criar estrutura específica para inteligência artificial e robótica

Augusto Cury (Avante), candidato à Presidência da República, afirmou neste sábado (29), durante sabatina do Jornal Nacional, que pretende criar um Ministério da Segurança Pública em um eventual governo e citou o também presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) como nome para comandar a pasta. “Nós temos que criar o Ministério da Segurança Pública. Até brinquei com o Caiado: se eu criá-lo, ele seria o xerife do Brasil, ele assumiria esse ministério”, afirmou.
A proposta surgiu durante uma discussão sobre a estrutura que Cury pretende dar ao governo caso seja eleito. Ao ser questionado sobre a proposta de redução e junção de ministérios, o candidato disse acreditar necessária a criação de estruturas em áreas que classifica como estratégicas. Uma delas seria voltada à inteligência artificial e à robótica. Cury mencionou tanto a possibilidade de criar um ministério quanto uma secretaria executiva com autonomia.
“Se nós não tivermos uma secretaria executiva ou um Ministério da Inteligência Artificial e Robótica, o Brasil vai ser atropelado”, disse. Segundo o candidato, o avanço da automação poderá provocar impactos significativos sobre o mercado de trabalho nos próximos anos. Ele citou profissões como advogados, engenheiros, médicos e jornalistas entre as atividades que poderão ser afetadas.
Cury também defendeu que o país tenha pelo menos 10 mil jovens fazendo doutorado em inteligência artificial, como forma de ampliar a capacidade tecnológica brasileira em setores como medicamentos, agricultura e indústria.
Corte de gastos e taxação das bets
Corte de gastos, revisão da estrutura do governo e aumento de arrecadação para tentar equilibrar as contas públicas foram pautas defendidas por Cury, como a elevação de tributação sobre as casas de apostas online.
“Pelo menos com 50%, 52%, seria uma taxação razoável”, afirmou. Segundo o candidato, a elevação da tributação sobre as bets ajudaria a aliviar a pressão sobre as contas públicas. Ele projetou um ganho adicional de cerca de R$ 120 bilhões por ano, número apresentado por ele como estimativa durante a entrevista.
Ao ser questionado sobre o crescimento da dívida pública, Cury disse que o governo precisa ter “responsabilidade fiscal” e classificou o nível de endividamento como “estratosférico”. Entre as medidas citadas estão uma auditoria na gestão pública e a revisão de cerca de 50 mil cargos comissionados, para avaliar quais seriam essenciais.
Defende, além disso, financiamento de 10 milhões de microempresas, com o argumento de que a expansão da atividade econômica poderia aumentar a arrecadação. Outra proposta apresentada foi permitir que beneficiários do Bolsa Família tenham uma segunda fonte de renda sem perder o benefício.
Avaliação de servidores
Cury quer a adoção de indicadores de desempenho para servidores públicos. Segundo ele, funcionários com desempenho abaixo do esperado deveriam passar por treinamento e capacitação. O candidato cita ainda a digitalização da administração pública e o uso de inteligência artificial como formas de aumentar a eficiência da máquina pública e reduzir despesas.
Ao falar sobre possíveis mudanças nas regras fiscais, Cury evita apresentar uma proposta fechada e afirmou que pretende estudar o tema antes de antecipar alterações. “Eu não posso me antecipar. Seria ingênuo, seria até eleitoreiro, seria populista falar de uma mudança”, declara.
Jornalista pela PUC Minas e pós-graduanda em Política e Relações Internacionais. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público



