Itatiaia

Zema nega que seja a favor do trabalho infantil e explica declaração polêmica

Em podcast, ex-governador havia falado sobre assunto e gerou polêmica

Por
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo)
O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) • Gil Leonardi | Imprensa MG.

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), em entrevista à GloboNews, foi questionado sobre uma fala polêmica que teve em maio deste ano. Ele afirmou em um podcast que acredita que crianças e adolescentes podem sim trabalhar, relacionando o discurso anti-trabalho infantil à uma invenção da esquerda.

"Parece que a esquerda criou essa noção de que trabalhar prejudica a criança. Lá fora, nos Estados Unidos, crianças só entregam no jornal, recebe lá, não sei quantos centavos por cada jornal entregue, no tempo que tem. Aqui, proibido, você está escravizando crianças, então é lamentável. Mas acho que tenho certeza que nós vamos mudar isso aí", disse à época.

Na entrevista à GloboNews, Zema explicou a fala. O candidato à presidência afirmou ter dado um exemplo próprio, por ter começado a trabalhar cedo, e citou o programa do jovem aprendiz. O ex-governador exemplificou com um caso de famílias que passam dificuldades dentro de casa.

"O que eu disse ali foi um exemplo meu, que eu trabalho desde criança, e dei um exemplo só para entender como aqui nós criamos uma cultura em que o jovem, lembrando que aqui no Brasil nós temos um jovem aprendiz. Eu venho do setor privado. Uma das coisas mais difíceis que existe no Brasil hoje é um jovem que estuda e que a família precisa de uma renda extra, ele tem alguma habilidade, ele conseguiu um emprego. Você sabe o que ele consegue hoje? Ele consegue bico. Porque ele com 14 anos, a lei proíbe a não ser que seja um jovem aprendiz".

Zema comparou a entrega de jornais feita por algumas crianças nos Estados Unidos com arrumar a cama.

"O que que ocorre lá fora? Eles faziam alguma atividade, às vezes durante as férias. Agora aqui parece que nós criamos uma cultura que me parece que criança não pode nem arrumar a cama. Entregar jornal eu acho que está na mesma situação", afirmou.

O ex-governador voltou a citar o programa do jovem aprendiz, tecendo críticas ao alcance do sistema. Zema ainda afirmou que com essa pouca abrangência, muitas crianças trabalham na informalidade e podem ser seduzidas pelo crime organizado.

"Hoje no Brasil o jovem aprendiz está restrito a um grupo muito pequeno, somente cidades onde tem o sistema ou alguma escola homologada, talvez abranja 15% dos jovens. E aí o que que acontece? Ele vai trabalhar na informalidade, não recorre, não conta tempo de serviço e o pior vai ser seduzido por quem? Pelo crime organizado", declarou.

Quando questionado sobre uma possível mudança, caso seja eleito, para que crianças possam trabalhar, Zema negou veementemente. O candidato aprofundou também na ideia central da própria fala.

"De forma alguma. O que eu quis expressar ali, crianças, jovens, eu não citei idade. O que nós precisamos dar no Brasil é facilidade para jovens que querem trabalhar sem prejudicar a escola. A minha proposta até é a seguinte, uma escola estadual que o jovem está frequentando, tendo bom aproveitamento, não faltando, daria tipo uma anuência para ele ter um emprego de quatro horas ou trabalhar nas férias que seja, nem precisa ser em período de aula. O que eu quero é que nós criemos aqui essa cultura que existe no mundo todo que trabalhar também qualifica, além da educação. Primeiro a educação, depois o trabalho", finaliza.

Por

Formado em jornalismo na PUC Minas. Tem passagens no ge.globo e como setorista do Atlético no Lance! Cobriu uma final de Libertadores e uma edição de Jogos Paralímpicos, além do dia a dia de clubes de futebol.

 

 

Belo Horizonte